Sonic 2: O Filme

(2022) ‧ 2h02

07.04.2022

“Sonic 2: O Filme”: Correndo contra o tempo

Dois anos após o lançamento de Sonic: O Filme, a continuação chega às telas com uma promessa maior de ação, novos personagens icônicos e um mergulho mais profundo no universo dos games. Sonic 2: O Filme tenta manter o equilíbrio entre fan service e diversão para toda a família, mas, ao acelerar seu ritmo e exagerar na duração, acaba tropeçando em alguns obstáculos.

O filme expande o mundo apresentado anteriormente, trazendo Knuckles (dublado por Idris Elba) e Tails (Colleen O’Shaughnessey) para o centro da trama. A relação entre Sonic e seus novos aliados adiciona camadas interessantes à história, enquanto o vilão Robotnik, novamente interpretado por Jim Carrey, retorna ainda mais caricato e disposto a dominar tudo com o poder da Esmeralda Mestre. Esses elementos são um deleite para fãs, mas a execução nem sempre faz jus ao material de origem.

A direção de Jeff Fowler mostra criatividade ao homenagear os jogos da Sega, especialmente nos pequenos detalhes, como a introdução do avião de Tails e a trilha sonora que evoca o tema clássico de Green Hill Zone. Porém, a narrativa tropeça ao se alongar desnecessariamente, com sequências que se arrastam e enfraquecem o impacto emocional do enredo. Em vez de focar nas dinâmicas entre os personagens, o filme opta por uma escala grandiosa que cansa antes do clímax.

Jim Carrey continua sendo um dos pontos altos, abraçando o exagero e trazendo um humor físico que remete aos seus papéis clássicos. Robotnik é tão absurdo quanto ameaçador, equilibrando-se no limite do ridículo, mas sempre divertido. O mesmo não pode ser dito de algumas piadas que Sonic faz, que, embora sejam voltadas para um público jovem, podem parecer forçadas para os adultos.

O filme acerta ao traduzir o espírito dos jogos em algumas sequências de ação criativas e visuais vibrantes. No entanto, há momentos em que a trama se perde no clichê, transformando-se em mais uma história genérica de salvar o mundo, como tantas outras no cinema contemporâneo. Essa abordagem grandiosa pode agradar ao público infantil, mas dificilmente impressionará espectadores mais velhos ou exigentes.

Com pouco mais de duas horas, Sonic 2: O Filme se estende além do necessário, tornando-se um exemplo de como “menos é mais”. Uma abordagem mais focada, priorizando o desenvolvimento dos personagens e o humor leve, teria criado uma experiência mais satisfatória. Ainda assim, para os fãs do ouriço azul, há momentos de pura nostalgia que compensam os tropeços.

O final sugere que a franquia ainda tem planos ambiciosos, indicando a chegada de novos personagens queridos pelos gamers. Porém, é um lembrete de que correr demais pode levar a quedas. A Paramount e a Sega fariam bem em desacelerar e dar mais atenção ao que realmente importa: criar histórias envolventes que respeitem tanto o público quanto a herança dos jogos.

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AUTOR

Felipe Fornari

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