Tempo Suspenso

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14.03.2025

"Tempo Suspenso" é um filme pretensioso e preguiçoso sobre dois irmãos intragáveis durante os primeiros meses da pandemia de COVID-19

Impossível não fazer uma brincadeirinha com o título Tempo Suspenso, o novo filme do francês Olivier Assayas, com a ausência de suspensão de tempo e a sensação de perda de tempo ao assistir esse longa.

Talvez estejamos ainda em processo de saturação com o período que muitas de nós passou confinadas em algum lugar do mundo durante os primeiros meses da pandemia de COVID-19, em 2020. Assistir dois irmãos jornalistas e privilegiados, no interior da França – numa casa de campo rodeada de outras que mais parecem pequenos sítios e castelinhos –, funciona como um tipo de punição para não esquecermos aquele momento. Claro, isso para aquelas pessoas (como os personagens) que tiveram o privilégio de não perder ninguém para o vírus.

Os irmãos Paul (Vincent Macaigne) e Etienne (Micha Lescot) estão confinados com suas namoradas nos primeiros meses da pandemia. Etienne é jornalista de música e Paul é cineasta – provavelmente representando o próprio Olivier –, e essa casa é onde cresceram e têm suas melhores memórias de infância, especialmente com os pais ainda vivos. Ambos já estão na meia idade, o que é aflorado neste momento de literal suspensão do tempo. Acompanhamos as diferentes obsessões de cada um com o passar dos dias: Paul é obcecado com higiene e Etienne adquire um vício em comer crepes diariamente. As duas namoradas – ambas em relacionamentos que surgiram logo após o divórcio dos dois – fazem aparições breves e quando há uma cena de diálogo só entre elas, falam de seus relacionamentos com os caras.

Pois é, um filme autocentrado onde nada acontece, nem no nível simbólico ou metafórico. Tempo Suspenso soa pretensioso e preguiçoso, mesmo quando aposta em um aceno ao reconhecimento de um passado comum entre os irmãos. Há a voz que narra, do cineasta Paul, e às vezes ela fica ali apontando para histórias intragáveis de seus vizinhos ricos construindo quadras de tênis etc. De vez em quando surge uma história do pai, da mãe… mas já estamos em total estado de sonolência para prestar atenção. Suspenda a ida ao cinema, a pipoca vai murchar.

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AUTOR

Emanuela Siqueira

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