ARQ

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ARQ aposta na simplicidade para narrar uma trama eletrizante, mas sem novidades.

ARQ, o novo filme original da Netflix, almeja contar uma história bem elaborada e imaginativa sobre uma ficção científica num futuro apocalíptico e escasso de recursos, tanto de alimento quanto de energia. Em loop contínuo, a história se repete a cada morte e volta ao começo do filme, deixando mais pistas e suspense para cada retomada do tempo.


No comando da direção está Tony Elliott, um dos roteiristas da série Orphan Black. Para quem conhece e assiste a série, o gênero que ARQ se encaixa não poderia ser mais confortável para o criador, que faz um trabalho responsável ao contar uma história de sobrevivência, ideais e reviravoltas envolvendo uma grande corporação e grupos rebeldes de resistência. Mas muito disso fica na imaginação, porque o centro da ação se passa em no máximo 3 locações fechadas. O foco fica para a direção e o cuidado com a continuidade que na técnica ficam impecáveis. ARQ, é na verdade um gerador de energia criado por Renton, personagem de Robbie Amell (The Flash, Arquivo X) e a ferramenta é o que o personagem junto de sua parceira Hannah, interpretada por Rachael Taylor (Jessica Jones), tem nas mãos para salvar a humanidade.


É possível ver muito de O Vingador do Futuro, No Limite do Amanhã e Triângulo do Medo como referências do filme. Mesmo a ambição por trás da tela ser grande, o filme consegue entregar uma ficção científica visual muito regular em termos de efeitos, armas, máscaras de ar e sistemas de abertura de portas por exemplo, que não condizem muito com toda a tecnologia que é falada no roteiro. A química de tensão e culpa que envolve o casal principal move grande parte da trama e nos distrai um pouco dessas outras questões.


A narrativa conhecida e a empolgação de fazer diferente na próxima vez que o tempo se repetir é um gancho que nos faz torcer para um final definitivo, conclusivo e surpreendente. Com essa brincadeira de roteiro interessante, ARQ consegue ser um filme inteligente em concepção e entretêm no tempo de tela sem tentar ser nada além do que é, além de uma boa opção na cartilha do serviço de streaming.

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AUTOR

Felipe Cavalcante

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