Adeus, Garoto

(2024) ‧ 1h40

"Adeus, Garoto": O verão em que tudo mudou

Thais Wansaucheki

Há filmes que não precisam de grandes reviravoltas ou discursos inflamados para contar algo importante. Adeus, Garoto é desses, ele mostra a vida como ela é.

Attilio (Marco Adamo) está vivendo um momento de transição. Enquanto ele e os amigos se despedem do verão em Nápoles, o garoto sente que a vida está passando por mudanças, quer ele queira ou não. Depois de mais alguns dias, ao mesmo tempo em que se envolve com uma garota que trabalha como prostituta na cidade, Attilio percebe que sua família precisa do seu apoio mais do que nunca, e é tentando conciliar esses dois universos e um nível totalmente diferente de maturidade, que ele vai descobrir quais escolhas realmente estão em jogo.

O filme é extremamente sensível ao demonstrar as relações humanas, sejam aquelas baseadas em situações de encanto, em que tudo parece coincidir para que o momento seja perfeito, como os cinco amigos se divertindo juntos, crentes de que nada nunca vai mudar, ou aquelas em que a violência parece ser insuportável, e um plano para escapar começa a se formar na mente.

A narrativa se apoia com firmeza nas sensações: o vento que sopra do mar para as pedras, o barulho e luz dos fogos de artifício, os olhares cruzados à distância. É uma escolha estética e afetiva que se mostra forte ao longo de todo o longa, sendo que o preto e branco, longe de esfriar a imagem, trouxe uma camada de melancolia e nostalgia que amplia o impacto emocional do filme.

O maior trunfo de Adeus, Garoto talvez esteja na forma como constroi suas camadas narrativas: a história pessoal de Attilio se entrelaça com a de sua família, com o contexto social em que vivem, e com o grupo de amigos que, aos poucos, começa a se desfazer, além é claro do romance. Não existe uma separação clara, apenas a percepção de que algo mudou. E é nesse quase que o filme brilha. Na dúvida entre ficar ou partir. No plano de fuga que nasce como pensamento e cresce como necessidade.

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