O Pior Homem de Londres é um filme que, na teoria, promete pelo título e parece irresistível: um personagem real com passado nebuloso, ambientação na Londres vitoriana, intrigas, artistas famosos e até ligação com um conto de Sherlock Holmes. Rodrigo Areias parte da vida de Charles Augustus Howell, um homem que circulou entre críticos de arte e pintores de sua época, manipulando pessoas e situações com uma mistura de charme e crueldade. Há material de sobra para um drama histórico de tirar o fôlego.

De fato, o filme acerta em cheio na reconstituição de época: figurinos impecáveis, design de produção com cenários recriados em cidades portuguesas que se disfarçam bem de Londres e um elenco de boas atuações. Com destaque para Albano Jerónimo, que veste o personagem principal com magnetismo e nebulosidade moral.
O problema é que, passada a beleza estética, sobra uma narrativa arrastada, que se alonga por mais de duas horas sem necessidade. O ritmo lento não constrói tensão, não cria mistério e tampouco enriquece o desenvolvimento da história. Pelo contrário, acaba achatando a experiência, tornando-a previsível e, em alguns momentos, francamente entediante.

Parece um tanto irônico que um filme sobre um mestre em manobras sociais e golpes sutis seja contado de forma tão pouco perspicaz. A narrativa ignora a própria essência do protagonista: falta jogo de cintura e aquela sensação de que cada cena esconde um movimento calculado ou uma revelação engenhosa.
No fim, O Pior Homem de Londres é muito bem filmado e encenado, mas não consegue sustentar o peso da própria duração. O roteiro deixa a desejar no ritmo e no desenvolvimento. A história de Howell merecia um pulso narrativo mais firme, que equilibrasse o requinte visual com a assertividade no modo de contar. Faltam a ambiguidade e a profundidade de personagem que poderiam tornar a experiência mais envolvente e interessante.







