Amazônia, a Nova Minamata? é um documentário que lida com um tema urgente e doloroso: a contaminação por mercúrio na região amazônica, especialmente entre o povo Munduruku. Jorge Bodanzky constrói um paralelo direto entre o que acontece hoje no Brasil e o que ocorreu no Japão, na cidade de Minamata, no século passado. A escolha é certeira, pois coloca em perspectiva histórica um problema que, embora atual, já foi experimentado em outra parte do mundo com consequências devastadoras.

Logo de início, o filme aposta em imagens fortes e de impacto, usando protestos, registros de manifestações indígenas e até referências políticas diretas para capturar a atenção do espectador. Esse recurso tem eficácia, mas também deixa claro que a proposta não é apenas observar, e sim denunciar. O documentário, portanto, transita entre o cinema e o jornalismo, reforçando a urgência do tema e o direito à informação. É uma obra que quer ser didática e direta, mesmo que para isso sacrifique um pouco da sofisticação estética.
Apesar da intensidade inicial, Bodanzky reserva momentos de pausa e contemplação. O trabalho da montagem equilibra a denúncia com registros do cotidiano dos Munduruku, abrindo espaço para que o público entenda que há uma vida para além da crise. Nesse aspecto, o documentário se aproxima de obras como A Última Floresta, ainda que sem o mesmo refinamento visual. É nesse contraste — entre as imagens duras e as cenas de observação — que o filme encontra parte de sua força, permitindo que a denúncia seja assimilada sem exaustão.

Um dos pontos altos está na pluralidade de vozes ouvidas. Médicos, pesquisadores, líderes indígenas, políticos, garimpeiros e até donos de garimpos aparecem na tela. Mesmo com um posicionamento claro contra a mineração ilegal, o diretor abre espaço para que “o outro lado” se manifeste. Essa escolha, ainda que possa soar polêmica, contribui para a sensação de um registro amplo, que não se contenta apenas em reforçar uma visão unilateral. A ligação com Minamata, por sua vez, amplia o alcance do discurso, transformando a luta dos Munduruku em parte de um problema global.
No entanto, há momentos em que a obra parece mais preocupada em reforçar sua mensagem do que em arriscar uma linguagem própria. O excesso de imagens de arquivo guiadas pela emoção tornam o filme previsível em alguns trechos. A força do tema se sobrepõe ao cuidado estético, e isso pode afastar espectadores que busquem algo mais artístico. Ainda assim, não se pode negar a relevância política e social de Amazônia, a Nova Minamata?, um filme que cumpre com clareza o papel de alerta e denúncia. Minha avaliação é de 3 estrelas em 5 — uma obra necessária, mas que poderia ir além em termos de cinema.







