2DIE4: 24 Horas no Limite

(2025) ‧ 1h01

24.04.2026

24 horas de velocidade: A imersão sensorial de "2DIE4"

Um carro atravessa a madrugada de Le Mans enquanto os boxes permanecem em alerta constante. Mecânicos observam telas, pilotos alternam turnos, o som dos motores nunca desaparece completamente. Ao longo de 24 horas, o filme acompanha Felipe Nasr no meio dessa engrenagem gigantesca que define uma das provas mais exigentes do automobilismo, transformando a corrida em uma experiência que oscila entre exaustão física, estratégia e uma tensão contínua que parece atravessar cada volta da pista.

Essa tentativa de aproximar o espectador da dimensão física da corrida ganha ainda mais peso pelo contexto do projeto. Trata se do primeiro longa brasileiro exibido em IMAX, uma escolha que deixa claro desde o início o interesse em apostar na escala da imagem e no impacto do som como motores da experiência. Quando o filme se entrega a esse caminho, ele encontra seus momentos mais interessantes. O ronco constante dos motores, os carros atravessando a noite em velocidade quase abstrata e a proximidade com a pista ampliam a sensação de presença, como se o espectador ocupasse um lugar entre os boxes e o asfalto.

Ao mesmo tempo, a própria estrutura do filme é mais enxuta do que essa ambição técnica poderia sugerir. Apesar de apresentado como longa metragem, a sensação é de estar diante de um média metragem bastante direto, construído a partir de imagens captadas durante a própria corrida. Muitas delas parecem nascer de registros espontâneos, fragmentos de bastidores, momentos rápidos de preparação das equipes, conversas nos boxes e pequenos intervalos de silêncio antes de mais uma sequência de voltas.

É justamente a partir desse material bruto que surge a tentativa de organizar a participação de Nasr em Le Mans como uma jornada dramática. Essa estrutura aparece aqui e ali, como se o filme buscasse transformar a corrida em um arco narrativo mais tradicional. O problema é que o próprio material parece mais interessado em registrar o evento e suas engrenagens do que em moldar uma trajetória clara para o piloto.

Com isso, o olhar acaba se deslocando naturalmente para aquilo que a corrida tem de mais fascinante. O funcionamento coletivo das equipes, o entra e sai incessante dos boxes, as decisões tomadas em segundos e o desgaste que se acumula ao longo de um dia inteiro de prova passam a ocupar o centro da experiência.

Nesse cenário, o formato IMAX reforça ainda mais essa dimensão sensorial. A pista ganha escala, os carros ocupam a tela com velocidade e presença física, e o filme encontra sua força quando aceita funcionar como um mergulho direto na intensidade de uma prova que atravessa a noite e o dia sem pausa. A narrativa nunca se consolida com a força que parece buscar, mas a vivência da corrida permanece ali, pulsando na imagem e no som.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Rapha Ritchie

OUTRAS CRÍTICAS

F1: O Filme

F1: O Filme

F1 é o tipo de filme que parece destinado a dividir opiniões: para os fãs da Fórmula 1, é um espetáculo que une velocidade, realismo e carisma; para quem busca uma narrativa mais pé no chão, é um desfile exagerado de testosterona e clichês. Mas o que ninguém pode...

De Volta para o Futuro

De Volta para o Futuro

De Volta para o Futuro é uma daquelas produções que atravessam gerações com a mesma leveza com que seu protagonista atravessa o tempo. Lançado em 1985, o filme dirigido por Robert Zemeckis continua sendo um dos melhores exemplos de como combinar entretenimento,...

E a Festa Continua!

E a Festa Continua!

Com direção de Robert Guédiguian e roteiro compartilhado por ele e Serge Valletti, E a Festa Continua! chega ao cinemas! De todas as fases da vida, a aposentadoria talvez seja uma das desafiadoras. Isso porque por volta dos 60 anos a mente está repleta da sabedoria...