A Assassina

05.05.2016 │ 13:21

05.05.2016 │ 13:21

Sabe aqueles filmes de ação chineses, espetaculares em suas coreografias e habilidades acrobáticas? A Assassina consegue reimaginar o gênero com um pouco de silêncio e tensão, ainda assim espetacular em seu propósito.
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O filme é o primeiro trabalho, em oito anos, de Hou Hsiou-Hsien, cineasta chinês conhecido por seu cinema de cenas tranquilas, introspectivas e contemplativas, vistas em Três Tempos e Café Lumière. Ele consegue fazer de A Assassina um filme menos focado em ação espalhafatosa (que normalmente afasta os brasileiros dos filmes chineses, como Herói, por exemplo), mas sem deixar de mostrar a beleza tranquila do mundo em torno das batalhas. Uma visão bem diferente da qual estamos acostumados.
O longa se passa no século VIII, durante a dinastia Tiang. Yinniang (Shu Qi) é uma assassina profissional, treinada com os melhores mestres. Ela é encarregada de matar um homem do governo, mas não consegue cumprir a tarefa quando o vê segurando um bebê recém-nascido. Punida por sua covardia, ela recebe a tarefa mais difícil de sua vida: matar o próprio primo, por quem é apaixonada, e com quem deveria se casar desde a adolescência. Assim, Yinniang tem que se confrontar com o passado para cumprir as ordens de sua mestra.
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Não é um filme fácil de seguir, não por ser especialmente complicado ou labiríntico, mas por ele ser contado por Hou em um fluxo de momentos abstratos, suaves e belos, pontuados aqui e ali por rompantes de violência.
O diretor não filma as cenas de artes marciais de maneira convencional, preocupando-se com o talento dos artistas envolvidos ou apreciando o espetáculo da coreografia. A ação acontece em pequenos momentos, que são breves explosões de movimento soltas na serenidade do fluxo das imagens das cenas. Sendo assim, as imagens de pessoas correndo pela grama alta acabam tendo o mesmo peso que o choque do barulho das lâminas das espadas que cortam através do ar.
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É lindo, gracioso e bonito ver a ação filmada em película por Hou e pelo diretor de fotografia Mark Lee Ping. Ao invés do digital, eles voltam ao analógico para criar imagens arrebatadoras, que juntamente com a trilha sonora são igualmente surpreendentes e envolventes. E por falar na trilha, ela não se sobrepõe aos sons naturais que ambientam o filme, como insetos a distância, o crepitar do fogo ou os passos dados em pisos de madeira, e isso torna o mundo de A Assassina muito mais tátil, próprio para as maquinações dos personagens desse universo.
A Assassina não é um filme para quem busca aquele clássico chinês com corpos voando quase em gravidade zero e espadas colidindo com uma destreza acrobática (como visto em O Clã das Adagas Voadoras, por exemplo). Mas também não é para quem espera um drama histórico grandiosamente melodramático, de ações e reações (como Flores do Oriente, por exemplo). Mas se você quiser ser transportado para as margens de mundos como esses que outros filmes chineses já te fizeram experimentar, o longa poderá ser considerado um ótimo clássico chinês.
Nota:

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