A Passageira

29.09.2016 │ 12:47

29.09.2016 │ 12:47

A Passageira brinda o espectador com uma trama de tirar o fôlego e através de um retrato honesto sobre a vida nos faz questionar nossas próprias certezas.
A história se passa em Lima, capital do Peru, onde Magallanes (Damian Alcazar, de Narcos), um soldado veterano, agora dirige um táxi e eventualmente exerce a função de chofer para um coronel idoso (Federico Luppi, de O Labirinto do Fauno), o qual fora comandante de sua tropa quando lutavam contra grupos considerados subversivos na região de Ayacucho.
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Sua lealdade ao seu antigo superior e sua boa vontade para com ele é o que tem mantido a sua vida cotidiana em equilíbrio. Em meio a sua peregrinação diária pela capital peruana em busca de passageiros, entra em seu táxi Celina (Magaly Solier, de A Teta Assustada), uma humilde mulher que luta para sobreviver com um salão de beleza nos arredores da cidade. A partir deste episódio os acontecimentos vão se desenrolando e aos poucos um obscuro passado envolvendo o coronel, Celina e Magallanes vai sendo revelado.
Nas periferias da Lima do século XXI sobreviver é imperativo, e o filme consegue mostrar com refinada sensibilidade a luta diária dos personagens, seja Magallanes com o táxi clandestino de seu compadre ou Celina às voltas com problemas financeiros de toda sorte. Para Magallanes, Celina aparece como uma grande oportunidade para mudar sua situação e ele não se furta em aproveita-la. Mas ao colocar em prática seu plano as coisas não acontecem exatamente como esperado e ele terá de se virar para manter os “malabares” no ar. Se você gosta de ficar sem fôlego, grudar na poltrona e olhar para a tela sem piscar, A Passageira atenderá seus anseios.
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Os reveses que os acontecimentos impõem ao taxista o levam a se questionar acerca das suas próprias responsabilidades nos sórdidos eventos do passado. Na tentativa de reparação, imbuído de intenções genuínas ou não, suas ações vão se chocar com a altivez moral de quem não tem interesse em relembrar o mal que a si foi causado e àqueles a quem em nome do poder e do dinheiro só interessa que o passado não seja conhecido.
Assim nossos valores e certezas são colocados em nossa frente como um espelho refletindo a nossa própria moralidade. Até onde os ‘pecados’ podem ser reparados? E podemos ir além: num mundo onde o econômico se sobrepõe ao humano, toda a estrutura de poder existe para manter a ordem constituída, então o que é, para que e a quem serve a justiça?
Nota:

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