“Segredos inimagináveis aguardam três soldados quando eles decidem buscar abrigo em uma fazenda isolada.”
Escrito por Deive Pazos, Alexandre Ottoni (Jovem Nerd) e Ian SBF (Porta dos Fundos), e estrelado por Jorge Guerreiro, Pierre Baitelli, Camilo Borges, Luiz Carlos Persy, Jade Mascarenhas, Daniel Moragas, George Sauma, Eber Inácio, e Frederico Vasques, A Própria Carne é um conto de terror folclórico, com pano de fundo histórico, e boa dose de suspense.
A experiência de assistir a um filme brasileiro de terror, independente, e com todo esse capricho, é realmente muito satisfatória. E não me prendo somente a filmes brasileiros quando digo que este é um dos melhores do ano no gênero do terror.
Buscando escapar dos horrores da Guerra do Paraguai, três soldados desertores (um deles ferido na perna) fogem pela mata em busca de um refúgio, após matar um oficial de alta patente. Após esconderem suas armas e fardas, e caminharem por algum tempo, encontram uma casa, habitada apenas por duas misteriosas pessoas, uma jovem mulher, e um idoso fazendeiro.

O filme retrata bem (na medida do possível) o que é morar isolado e receber a visita repentina de três homens estranhos, tanto através da atuação e interação dos personagens, quanto pela iluminação e sonoridade que os envolvem naquele ambiente.
Além dos elementos folclóricos e históricos, a película apresenta também características de suspense psicológico, terror de sobrevivência, sobrenatural e além disso, um drama com nuances de comentário social.
Dentro da minha análise, acredito que os pontos positivos de maior destaque ficam por conta da “imagem”, já que a obra serve bons momentos envolvendo efeitos visuais gráficos, além da alta qualidade em maquiagem e efeitos práticos. Somando, todo o trabalho envolvendo cinematografia, direção de arte, figurino e cenário, são próximos ao impecável.
No que diz respeito ao roteiro, um dos personagem rouba a cena, com ótimas e interessantes linhas. O fazendeiro demonstra ser um homem culto, eloquente, mas que se esconde por trás da aparência fragilizada pela idade e pela vida.
Por fim, o suspense. Crescente dos primeiros momentos, até os últimos segundos, deixa o espectador grudado no assento, sempre na expectativa do que mais irá acontecer, envolvendo o longa-metragem em uma estufa de tensão, antecipação, e mistério.

Os pontos negativos, – e vale salientar de que não estragam a experiência – são majoritariamente ligados ao roteiro e à execução.
O “contexto histórico” beira a irrelevância, aparecendo um pouco mais no início e no fim da trama, e apenas justifica o comentário social, raso e vago, feito em cima de um único personagem, somado a isso, o background e motivação dos personagens são pouco explorados.
E por fim, os elementos místicos e sobrenaturais são sutís, tímidos, e pouquíssimos vistos.
No entanto, ponderando como eu me senti assistindo, o filme em si, e a minha análise sobre ele, concluo que tem mais acertos do que erros, sendo um ótimo entretenimento, principalmente para os fãs de terror.




