A Repartição do Tempo

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02.02.2018

Comédia “A Repartição do Tempo” mistura ficção e aventura em clima de Sessão da Tarde

A Repartição do Tempo é um longa filmado inteiramente em Brasília. Eu particularmente amo a cidade. É uma gama de sensações que brotam sempre que visito a capital. Não sei se é por causa do concreto futurista ou do clima de organização que o plano piloto possui. Independente das razões, o filme A Repartição do Tempo conseguiu imprimir muito bem essas ideias de futurismo e burocracia. Melhor ainda, imprimiu de forma divertida e bastante competente. E nós adoramos quando isso acontece, não é mesmo?

A história do filme se passa nos anos 80 (amamos histórias que se passam nessa década). O REPI, Registro de Patentes e Invenções, é um departamento público que tem como função catalogar as mais diversas peças e invenções que chegam até o local. Por conta do seu processo lento de organização, o REPI foi mostrado na mídia como um exemplo típico de má burocracia. Irritado com toda a publicidade negativa, o chefe do departamento, Lisboa (Eucir de Souza), exige mudança de seus funcionários, colocando neles a culpa do REPI ser taxado de ruim.

O que todos não esperavam, durante essa mudança na repartição, era que Lisboa pudesse utilizar de uma das invenções catalogadas no REPI. A invenção que Lisboa se apropria é uma máquina do tempo, desenvolvida pelo atrapalhado dr. Brasil (Tonico Pereira). A máquina realmente funciona, mas de uma forma toda particular. Quem volta no tempo é a máquina, não as pessoas. Ela reaparece com uma cópia da última pessoa que a utilizou. Sabendo de tudo isso, Lisboa decide melhorar a produtividade da repartição, aumentando o quadro de funcionários sem precisar contratar ninguém para isso. Não preciso dizer que Lisboa é o grande déspota do filme.

O filme em si é bastante divertido, e explora de forma consciente os clichês que todos nós já conhecemos ou já vimos em filmes dos anos 80. A edição do filme é realmente bem interessante e consegue manter o ritmo fluido, mesmo que a história do filme possa parecer confusa. A direção de Santiago Dellape foi bem segura. Afinal, duplicar personagens e fazer com que eles funcionem em poucos cenários é algo bem difícil de se fazer. O resultado foi incrível.

Claro que não posso esquecer de mencionar as atuações dos atores, que estavam bem alinhadas com os papéis. Todos sabemos da dificuldade que se é fazer comédia. Tem a questão do timing e tudo mais. Ou você é natural ou você é forçado. O time conta com as participações de André Deca, Bianca Müller, Edu Moraes, Eucir de Souza, Selma Egri e os icônicos Dedé Santana e Tonico Pereira. Filme mais do que recomendado!

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Viní­cius Gratão

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