A Torre Negra

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24.08.2017

"A Torre Negra" não é o desastre que alardearam, mas podia ser bem melhor

Sou fã da série A Torre Negra desde 2013 quando resolvi tirar parte do ano para ler os oito livros concebidos por Stephen King. Dito isso, alguns podem dizer que vou malhar a adaptação da obra nos cinemas, apenas por ser um purista. Muito pelo contrário, gostei da forma como a produção conseguiu se desamarrar do material original, mas ainda assim habitar o mesmo universo sendo uma espécie de continuação. Isso quer dizer que amei o filme? Veremos!

No longa, um pistoleiro chamado Roland Deschain (Idris Elba, o Heimdall, de Thor) percorre o mundo em busca da famosa Torre Negra, um lugar mágico que exerce uma espécie de atração para diversos mundos e está prestes a desaparecer sob os ataques do poderoso Homem de Preto (Matthew McConaughey de Interestelar). Passagens entre tempos diferentes, encontros intensos e confusões entre o real e o imaginário permeiam todo o material.

Parte da adaptação de A Torre Negra funciona, parte não. É um filme de ação metafísico que dá certo na parte em que se concentra no Pistoleiro de Elba, mas peca no vilão de McConaughey. O Homem de Preto tem a profundidade de um pires e o roteiro sustenta suas motivações como um castelo de cartas de baralho. Ainda assim o filme não está perdido.

O filme esquenta e fica mais interessante quando Jake, consumido por visões assustadoras do Homem de Preto e do Pistoleiro, é levado por um portal para o mundo em que os personagens habitam.
Assim como nos livros, é Jake (o estreante Tom Taylor) quem humaniza o Pistoleiro e age como um McGuffin para os propósitos sinistros do Homem de Preto. Taylor faz um trabalho incrível como Jake e remete ao Jake do livro original de 1982. Enquanto isso, McConaughey faz apenas um demônio elegante e Elba se despe de emoções ao retratar Deschain.

O dinamarquês Nikolaj Arcel (do ótimo O Amante da Rainha) mergulha de cabeça no material de King, mas parece sofrer com o baixo orçamento de $60 milhões. O design das criaturas e o design da produção como um todo, mais parecem saídos de um filme B. Mas até isso funciona “ok”, se você não estiver esperando uma superprodução.

A Torre Negra deixa um gostinho de quero mais, que talvez não se concretize dada a baixa bilheteria do longa, mas também te faz lembrar que os livros estão lá para quem quiser ler, e aqui vai uma dica: mergulhe no universo de King antes de se aventurar por estas terras. Você vai aproveitar muito mais!

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AUTOR

Felipe Fornari

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