A Visita

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26.11.2015

Imagina a cena: você está brincando de esconde-esconde embaixo da casa dos avós. Detalhe 1: o local é escuro, úmido, sujo, assim, o pacote completo. Detalhe 2: o pé-direito do esconderijo é tão baixo que você só consegue se mover ali se rastejar. Detalhe 3: isso tudo se passa na casa dos avós que você e sua irmã/irmão acabaram de conhecer. Bacana, parece divertido. Claro que é! Você se arrasta pra cá, ela/ele se arrasta pra lá, estão se divertindo horrores. De repente, Detalhe 4: você se depara com alguém vindo na sua direção. Alguém de cabelos brancos e longos, jogados por sobre o rosto (estou reconhecendo… deve ser a guria do poço mais velha!! Filme errado, Samara!). Alguém que está se arrastando velozmente em sua direção. Ah, é a sua avozinha querida, que horas atrás estava delicadamente vestida, maquiada e penteada, oferecendo cookies fresquinhos à mesa do café da manhã. O que você faz?


Bom, a molecada de A Visita, o novo filme do Shyamalan, Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould), correm o mais rápido possível pra fora daquele labirinto que acabou de ficar mal-assombrado. E a avó, Nana (Deanna Dunagan), toda sorridente, se levanta, limpa os joelhos sujos e comenta que a brincadeira estava divertida. Ela abraça o marido, avô das crianças, Pop Pop (Peter McRobbie), e volta pra cozinha fazer mais comida gostosa. Risadinha tensa dos dois irmãos lá na tela. E risadinhas tensas enchem a plateia, no cinema. E foi assim o filme todo. Mas o filme não era pra ser de terror, Mr. Shyamalan?


Seja lá como você classifique o filme, ele é um filme do Shyamalan. Sim, ele está de volta. Yeah, que legal. Putz, já ouvi empolgação maior há alguns anos, tipo quando ele ia sair com a Dama na Água. Aí, depois que Dama na Água saiu, todo mundo viu e bateu uma deprê danada. O cara perdeu a mão, alguns diziam. Ah, o cara é um gênio, tem que entender o filme em seus diversos níveis de abstração, blá blá blá. Não!!!! O cara que veio com Sexto Sentido, com A Vila (!!), Corpo Fechado… nunca mais acertaria a mão depois daquela guria na água. Pronto, falei. E os fãs do cara já tinham largado os bets, pendurado as chuteiras… porque parecia que daí não saía mais nada.


Mas saiu. O filme não é um terror convencional (…estilo Sexto Sentido, que deixou muita gente com trauma de ir ao banheiro à noite), vamos ser francos aqui. Normalmente, em um filme de terror, o diretor não tem piedade, não. Assusta, assusta, assusta. Respirar pra quê? Alívio pra plateia? Ha! Tensão total é a ordem da casa. Mas o Shyamalan decidiu dar uma inventada em A Visita, e jogar um alívio pra tensão a cada passo do filme. E ele usou as crianças, principalmente Tyler (de nome artístico T-Diamond Stylus, pois ele é um rapper de mão cheia ;)). Você se assusta, e Tyler faz uma careta. Você fica com o coração na boca, e Tyler alivia imitando sua avó doente. Não tem como não cair na gargalhada. E o cinema explodia em risadas volta e meia. E todo mundo parecia assim ficar mais tranquilo com o filme, apesar do lance ficar cada segundo mais tenso. E tenso. E tenso.


Falei que não é um terror convencional, né? Não, não é. Mas em vários aspectos é muito melhor. A história é bem sólida, convincente, e a la Shyamalan (entendedores entenderão). O estilo de filmagem caseira já está meio fora de moda, mas tenho que admitir que o Shyamalan usou de maneira diferente, e o resultado foi legal (apesar de ser um saco assistir a câmera pra lá e pra cá de vez em quando). Ah, e os sustinhos, minha gente, estão lá! Salve, salve, eles não podem faltar. Podem dar graças e ficar felizes, os filmes de terror ainda entregam a mercadoria.


Terror, comédia, certas doses de drama (não, não tem romance, esquece, você entrou na resenha errada!) e diversão garantida. Então bora comprar pipoca (doce embaixo, salgada em cima), um refrizinho básico e, quem sabe, até umas balinhas. Chama a galera, a família, leva o irmão mais novo (só não leva a avó nem o avô, melhor ir ver Victor Frankenstein ou American Ultra com eles, vai por mim) e boa diversão!

Nota:

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AUTOR

Melissa Correa

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