A Trama

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16.11.2017

"A Trama" usa e abusa da simplicidade e cativa com seus diálogos

Um workshop com a renomada escritora Olivia Dejazet (Marina Foïs) é o que sete jovens planejam para suas férias de verão. Entre uma sessão e outra, o grupo deve escrever um conto fictício, que retrate um pouco do que é a vida de cada um. Enquanto todos apresentam ideias e pontos de vista que aos poucos são moldados e encaixados em uma só trama, um dos alunos, Antoine (Matthieu Lucci) está sempre discordando dos demais. Ele chama a atenção de Olivia, que vê nele algo real demais para ser colocado em qualquer história.

A primeira coisa que se destaca em A Trama são suas locações. Apesar de restritas a alguns poucos locais como a casa dos personagens principais, isso contribui para que o foco recaia com mais peso no que está acontecendo e nos detalhes de cada cena.

Desde o início do filme os personagens vão conquistando o espectador, mostrando que o diálogo pode ser uma ferramenta tão perigosa quanto qualquer outra, e que para ferir basta apenas usá-la. Eles mostram como dentro de um grupo pequeno a diversidade de ideias fala tão alto quanto nos grupos extremistas que eles abertamente condenam. Outro ponto que também é deixado claro é a facilidade com que essas ideias podem chegar ao plano real e se tornarem ações. É nesse ponto, que percebemos o que realmente faz diferença e isola cada lado, separando uma tragédia de um final feliz.

A simplicidade parece ser no final das contas e dadas as devidas proporções, a base para um filme de sucesso. Claro que contar uma história que retrata o verão na França, numa cidade beira mar, parece facilitar o trabalho, uma vez que o cenário majestoso de rochas brancas e o mar bem azul parecem ser o frame perfeito para qualquer narrativa.
Mesmo assim, a mensagem que fica, e que vai agradar qualquer público é que, abaixo da superfície um mundo de ideias perigosas, ou não, se esconde, e é preciso saber navegar entre elas.

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AUTOR

Thais Wansaucheki

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