A um Passo da Eternidade

(1953) ‧ 1h58

19.10.1953

"A um Passo da Eternidade" destaca aspectos culturais do exército com elementos que podem atrair o público

A principal lembrança que as pessoas têm de A um Passo da Eternidade é a do sargento Milton Warden (Burt Lancaster) abraçando Karen Holmes (Deborah Kerr) nas praias do Havaí com as ondas agitadas ao seu redor. Este momento icônico, que fica gravado nas mentes de quem viu o filme, tem mais probabilidade de ser lembrado do que a história, as atuações ou os oito Oscars levados para casa pelo filme (de 13 indicações).

Visto hoje em dia, no entanto, embora divertido e comovente, o filme é menos um drama épico do que um novelão histórico.

A produção, baseada no romance de James Jones, retrocede doze anos no tempo, até o Havaí, antes do ataque japonês a Pearl Harbor. Acompanhamos a vida do exército pouco antes do início das hostilidades, A um Passo da Eternidade foca nas vidas e nos amores de três soldados: o impassível e confiável Warden, o obstinado e beberrão Prewitt (Montgomery Clift), e o menos sério, mas não menos teimoso, Maggio (Frank Sinatra).

O diretor Fred Zinnermann estava em seu momento mais criativo. Entre 1948 e 1953, Zinnermann fez três filmes pelos quais foi indicado ao Oscar (Perdidos na Tormenta e Matar ou Morrer, além desse). A um Passo da Eternidade rendeu-lhe a primeira de duas vitórias (a outra foi para O Homem que Não Vendeu sua Alma, em 1967, que também ganhou o Oscar de Melhor Filme).

Muitos em Hollywood achavam que o romance de James Jones era “infilmável”. Vários cortes tiveram que ser feitos para reduzir as 800 páginas do romance para um tamanho razoável. Os palavrões foram eliminados e as prostitutas foram transformadas em “anfitriãs” de um “clube social” (embora fique claro o que elas realmente são).

O final traz imagens do bombardeio e suas consequências imediatas; elas são incluídas não apenas como uma forma de concluir a narrativa, mas para enfatizar que o estilo de vida militar retratado durante a maior parte do filme teve uma morte tão súbita e dramática quanto os muitos soldados nos navios que afundaram. Esta é, no entanto, uma história de amor disfarçada de filme de guerra – a guerra não é muito mencionada até o último ato, embora a sombra do acontecimento histórico paire sobre toda a duração do longa.

Embora o retrato dos militares não seja tão negativo e cínico quanto o que se desenvolveu durante o período cinematográfico pós-Vietnã, as forças armadas não são celebradas aqui. Aspectos culturais do exército são destacados e, embora o final mostre exemplos de heroísmo, o filme também destaca elementos mais sombrios, como o egoísmo do capitão Holmes com o sargento e a brutalidade de Judson. O filme conta uma história convincente com muitos dos elementos que atraem o público até hoje. No entanto, tantos anos depois, há pouco em A um Passo da Eternidade que o diferencie de outras produções do seu gênero e época.

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AUTOR

Felipe Fornari

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