Rosa de Esperança

(1942) ‧ 2h14

04.06.1942

A autenticidade das situações e emoções de "Rosa de Esperança" é inconfundível

Rosa de Esperança começou a ganhar forma em 1937 como colunas de jornal no The Times – uma série de reflexões de Jan Struther sobre a vida cotidiana no Reino Unido daquela época. Com o início da Segunda Guerra Mundial, o trabalho de Struther assume um tom mais obscuro, as colunas viram uma coletânea e são publicadas como livro em 1939. Quando a obra desembarca nos Estados Unidos, Roosevelt e Churchill a consideram como uma influencia para o americano sair da neutralidade em direção a uma posição pró-britânica na guerra. Tanto que quando a adaptação cinematográfica entra em produção em 1941, os Estados Unidos ainda não tinham tomado partido oficialmente. O que muda em 7 de dezembro de 1941 e, na época em que a estreia acontece, durante o verão americano de 1942, os Estados Unidos já estavam oficialmente em guerra.

O filme não é estritamente uma adaptação, já que o enredo é uma invenção dos roteiristas. Mas isso torna Rosa de Esperança interessante de várias maneiras. É um dos poucos filmes de guerra a lidar com os aspectos da Segunda Guerra Mundial para aqueles que estão em suas respectivas casas durante o evento. A adaptação não é sobre política ou deveres no campo de batalha; é sobre o impacto do conflito na população civil não combatente. Além disso, enquanto era produzido, o resultado da guerra era incerto, portanto, necessariamente, uma resolução era impossível de ser vislumbrada.

O diretor William Wyler (Ben-Hur), um dos grandes cineastas entre 1930 e 1960, reconheceu posteriormente que Rosa de Esperança foi pensado como um filme propaganda. Apesar de sua herança alemã, Wyler era ferrenhamente antinazista e queria despertar sentimentos pró-Aliados. Este foi o último filme que ele fez antes de se juntar a guerra. Visto muitos anos depois, a agenda de Rosa de Esperança é evidente. O filme é mais sobre os horrores e a tragédia da guerra do que especificamente sobre demonizar a Alemanha.

Na sequência em que um soldado alemão aparece, ele é representado como um indivíduo assustado e confuso – um animal acuado e ferido, por assim dizer, em vez de uma caricatura de guerra. Wyler quer que o espectador simpatize com a situação difícil da família principal e da comunidade em que vivem e como a guerra transforma tudo. Por permanecer ali, no vilarejo, longe de Londres e longe das linhas de frente, Rosa de Esperança oferece uma perspectiva do conflito raramente vista em produções do gênero. A genialidade de Wyler é que ele começa a produção de forma inocente, com uma sensação leve de familiaridade, antes de escurecer gradualmente a situação. A cena final, que transcorre em um funeral dentro de uma igreja bombardeada, fala muito através do seu visual, tanto quanto por seus diálogos.

Quando o filme começa, a guerra já está no horizonte, mas ainda não foi declarada. Kay Miniver (Greer Garson, de Orgulho) e seu marido, Clem (Walter Pidgeon, de Planeta Proibido), são pais de classe média de três filhos: Vin (Richard Ney, de O Segredo de Saint Ives) sendo o principal deles. Embora Clem ganhe um bom salário como arquiteto, tanto ele quanto Kay têm uma tendência a gastar demais. No início da história, Kay compra um chapéu caro e moderno e Clem gasta muito em um carro novo chique. Durante as férias da universidade, Vin se envolve em um romance com Carol Beldon (Teresa Wright, de A Sombra de uma Dúvida), de 18 anos, neta da mal-humorada Lady Beldon (May Whitty, de Suspeita), cuja principal preocupação na vida é que suas rosas premiadas ganhem uma competição anual. O primeiro encontro entre Vin e Carol é interessantíssimo, mas as faíscas da discórdia se transformam em algo mais íntimo. Então a guerra chega para separar as pessoas, as bombas começam a cair, Vin se junta à R.A.F., Clem leva seu barco para Dunkirk afim de resgatar soldados sitiados e Kay deve enfrentar um piloto alemão caído e ferido em sua própria cozinha.

Rosa de Esperança foi um grande sucesso em seu lançamento, recebendo elogios no Reino Unido e nos Estados Unidos. Foi igualmente aplaudido pela crítica e pelo público, tendo sido indicado para 12 Oscars, levando seis prêmios, incluindo Melhor Filme e Direção. Ele ainda se sai melhor do que muitos de seus contemporâneos vencedores do Oscar pois resiste ao passar do tempo, continuando a ser eficaz e comovente tanto quanto era quando foi lançado durante os primeiros dias da Segunda Guerra Mundial.

Além disso, a representação instantânea da incerteza associada a um conflito global aumenta o imediatismo do filme. Apesar de ter sido filmado longe de onde se passa, a autenticidade das situações e emoções é inconfundível.

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AUTOR

Felipe Fornari

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