Alien: Earth

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"Alien: Earth": A reinvenção de um universo assustador

Alien: Earth chega com a difícil missão de expandir um dos universos mais icônicos do cinema de ficção científica, ao mesmo tempo em que tenta se reinventar para a televisão (território inédito para a franquia). Criada por Noah Hawley, a série não se contenta em repetir os passos já conhecidos da franquia. Ao contrário, ela amplia o escopo narrativo ao inserir novas camadas filosóficas e questionar o papel da humanidade diante da tecnologia e das ameaças externas. O resultado é um prequel que, embora se passe antes dos eventos do longa de 1979, dialoga diretamente com dilemas bastante contemporâneos.

Logo de início, a queda da nave Maginot na Terra serve como catalisador para a trama. A partir desse acidente, formas de vida extraterrestres — incluindo, mas não se limitando aos Xenomorfosjá conhecidos — são liberadas, colocando em risco não apenas um grupo de soldados e sobreviventes, mas toda a população mundial. Em paralelo, acompanhamos as experiências da corporação Prodigy, que cria híbridos de humanos e sintéticos, buscando vender nada menos do que a promessa de vida eterna. É nesse cruzamento de interesses que surge Wendy (Sydney Chandler), uma jovem que se torna a primeira híbrida e, por isso, o ponto focal de uma narrativa que mistura ação, horror e filosofia.

A personagem de Wendy, por sua vez, funciona como contraponto perfeito à Ripley imortalizada por Sigourney Weaver. Enquanto Ripley era pragmática e endurecida pelas circunstâncias, Wendy traz a inocência de alguém que ainda está descobrindo sua própria identidade. O contraste entre ela e figuras como Kirsh (Timothy Olyphant), um sintético mais velho e cético, enriquece a trama. Esse embate entre juventude e experiência, organicidade e artificialidade, é talvez o que mais diferencia a série de outras produções da franquia.

Hawley também se permite brincar com referências e expandir a mitologia. Os híbridos criados pela Prodigy recebem nomes inspirados em Peter Pan, reforçando o paralelo entre a perda da inocência e a eterna juventude prometida pelas manipulações científicas. Essa escolha narrativa pode soar excêntrica, mas funciona como metáfora para as ambições de Boy Kavalier (Samuel Blenkin), o bilionário visionário que age como uma espécie de “Peter” distorcido, mais interessado em moldar o futuro do que em preservar o presente.

Visualmente, Alien: Earth impressiona pelo esmero na construção de cenários e pelo design das novas criaturas. Desde a imponência da nave destruída no meio de um centro urbano até os momentos de pura tensão dentro do Maginot, há um senso de escala que reforça a grandiosidade do projeto. Algumas adições ao bestiário alienígena podem não ser tão marcantes quanto o clássico chestburster, mas ainda conseguem causar desconforto e repulsa suficientes para manter o espectador alerta.

Ainda assim, é importante notar que a série nem sempre entrega o horror visceral característico da franquia. Em vez disso, Hawley parece mais interessado em explorar os dilemas morais e existenciais dos híbridos, levantando questões sobre identidade, memória e humanidade. Essa escolha pode frustrar quem espera uma sequência contínua de sustos e carnificina, mas dá à série um frescor que a diferencia de meras repetições de fórmulas já conhecidas.

No fim, Alien: Earth se destaca por ser uma obra que arrisca. Ao invés de depender exclusivamente da nostalgia e do terror corporal que consagrou a franquia, ela oferece uma reflexão sobre o que significa ser humano em um universo dominado por forças corporativas, biológicas e tecnológicas. É uma série que tanto homenageia quanto subverte a tradição, criando espaço para novas discussões dentro de um universo que parecia já ter explorado todos os seus limites.

Conheça os demais filmes da franquia

Clique nos pôsteres para ler nossa crítica sobre o título.

ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO
(1979)

ALIENS, O RESGATE
(1986)

ALIEN 3
(1992)

ALIEN: A RESSURREIÇÃO
(1997)

ALIEN VS. PREDADOR
(2004)

ALIEN VS. PREDADOR 2
(2007)

PROMETHEUS
(2012)

ALIEN: COVENANT
(2017)

ALIEN: ROMULUS
(2024)

ALIEN: EARTH
(2025)