O thriller psicológico brasileiro Antártida com distribuição da Paris Filmes e produção dos Estúdios Globo chega aos cinemas dirigido por Bruno Safadi e com roteiro de Cláudia Jouvin, é uma das maiores superproduções recentes do cinema brasileiro. Exibido na abertura do 54º Festival de Gramado, o filme chega como um suspense investigativo claustrofóbico que usa a frieza do isolamento para abordar violência contra a mulher, relações de poder e cumplicidade institucional.
A história se passa na isolada Estação Comandante Diniz, uma base de pesquisa isolada na Antártida. Após uma noite de recepção aos recém-chegados, a pesquisadora Inês (Marina Ruy Barbosa) é encontrada desacordada na neve, vítima de agressão e abuso sexual. Sem conseguir se lembrar do rosto do agressor e impedida de sair do local por conta do clima extremo, ela se vê presa com o próprio agressor. A subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) assume a investigação paralela, enfrentando o militarismo e o silêncio do comandante Barros (Antonio Calloni).

Gravado nos Estúdios Globo com alto orçamento, o filme impressiona visualmente. A recriação do ambiente antártico e o design de som constroem uma atmosfera sufocante de claustrofobia e perigo contínuo.
A força do elenco sustenta a tensão dramática. Destaque para Andrea Beltrão no papel da subcomandante dividida entre o dever e a justiça, além das atuações de Lázaro Ramos, Leandra Leal e Marina Ruy Barbosa.
Ao usar a estrutura do whodunit (“quem fez?”) para debater estruturas de abuso e proteção institucional, o filme cumpre um papel relevante de provocação social. No entanto, o texto tenta abraçar muitos comentários sociais ao mesmo tempo (hierarquia, machismo, impunidade, política), perdendo a agilidade do mistério central no segundo ato e se tornando muito apelativo.

Em vários momentos, a postura contida dos personagens diante da gravidade do crime enfraquece o impacto emocional de cenas cruciais.
Antártida é um thriller ambicioso que vale a pena pelo apuro técnico e pelas boas atuações, mesmo que tropece ao tentar ser mais panfletário do que a sua estrutura de suspense exige. Talvez um enredo de terror caberia bem melhor no clima do filme. Na verdade poderia ter sido um ótimo filme de terror. Concluindo, a ideia do estupro não se encaixa na atmosfera do filme.








