Apolo

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Quando o amor é a única resposta

Apolo, documentário dirigido por Tainá Müller e Isis Broken, é reconhecido pela crítica pela sua força, relevância social e dimensão emocional, tendo sido premiado recentemente no 33º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade com o Coelho de Prata (Prêmio do Público) de Melhor Longa Nacional e com uma Menção Honrosa do Júri na categoria de Melhor Longa-Metragem.

A produção acompanha a trajetória de uma família formada por um casal transgênero, enaltecendo a coragem e a luta contra o preconceito e a invisibilidade social. A centralidade do roteiro está na gestação de Apolo, na qual somos convocados ao exercício da empatia e da alteridade, a partir dos dramas, angústias e medos do casal formado por Isis Broken e Lourenzo Gabriel.

Um pai se prepara para dar à luz uma criança feita de amor e luta, mas a sociedade jamais estará preparada para essa revolução movida pelo afeto. Isis nos mobiliza ao provocar o seguinte questionamento sobre o filho Apolo: “Como você nasceu do amor quando o mundo se tornou um lugar incerto?”

O filme é um presente do entendimento, uma espécie de “álbum mundial para um bebê”, o filho gerado de/para o amor, e por isso também transborda resistência, amorosidade, cuidado e respeito.

A construção da narrativa reflete duas perspectivas: a esfera pública e o universo privado. Ao mesmo tempo em que apresenta a intimidade do casal, com tanta verdade e força motriz movida pela coragem e pelo acolhimento de suas respectivas famílias, retrata a violência e o preconceito advindos das instituições do Estado.

Essa situação é tão dramática que o casal não encontra outra saída senão realizar uma mudança para outra cidade, para outro Estado, que possa oferecer o mínimo de dignidade, garantindo a Apolo uma gestação com assistência e segurança, pois amor ele tem de sobra.

A coragem de denunciar as práticas violentas no oferecimento dos serviços de saúde pública expõe uma face dura e cruel de maneira firme, dando visibilidade a toda forma de violência institucional. Porém, a resposta de Isis e Lorenzo à truculência do Estado se deu na exata proporção do amor que une o casal e do acolhimento que recebem de suas famílias.

O documentário reafirma sua relevância pela delicadeza, sensibilidade e pela potência do esperançar, ao mostrar os desafios sociais e culturais das famílias transcentradas, que existem e são portadoras de respeito e reconhecimento. O afeto transcentrado é resistência e força para Isis, “nascida de si mesma”; para Lorenzo, “uma águia de Oxum, que carregou seu próprio filho”; e para Apolo, que se torna “a cura para nossas crianças feridas, trazendo movimento para a vida”.

No país que, ainda hoje, é o que mais assassina pessoas trans no mundo, este filme se torna um documento histórico e uma denúncia de uma época, da luta e de uma nova possibilidade de futuro — mais humanizado e democrático. Nesse futuro, a existência das famílias LGBTQIAPN+ não significará risco para suas vidas, mas razão para a celebração de todas as formas e manifestações de afeto. O amor é o fim maior.

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