As Duas Faces de Janeiro

18.12.2014 │ 19:28

18.12.2014 │ 19:28

Anti-heróis são regra na cultura pop. A velha batalha entre o bem e o mal evoluiu para uma luta entre o moralmente comprometido e os verdadeiramente desprezíveis. Muito antes de True Detective e Dexter, a romancista Patricia Highsmith escreveu uma série de romances policiais estrelada por tais protagonistas anti-heroicos. Highsmith escreveu Pacto Sinistro e O Talentoso Ripley na década de 50 e logo após, nos anos 60, ela escreveu As Duas Faces de Janeiro, que chega agora aos cinemas brasileiros.
Fiel à forma, pelo que se fala do livro, todos os três personagens principais têm uma fraqueza para atividades ilegais. O ano é 1962, e Chester e Colette (Viggo Mortensen e Kirsten Dunst) são um casal americano que incitam a imagem perfeita de casal romântico curtindo as férias em Atenas. A primeira vista eles parecem estar se divertindo em torno da Acrópole com seus chapéus característicos da época, mas essa não é exatamente uma viagem de lazer. Na verdade, eles estão fugindo de alguns investidores irritados que concederam dinheiro a Chester.
Nesse passeio inicial eles conhecem Rydal (Oscar Isaac), um guia turístico americano que também tem uma habilidade com sedução, e através dessa sedução consegue algumas pequenas quantias de dinheiro de outras pessoas. A atenção de Rydal se volta para o casal, e quem poderia culpa-lo? Chester parece endinheirado e pronto para gastar, além de se assemelhar com seu recém-falecido pai. Enquanto Colette, parece querer algo mais com o guia turístico.
A “órbita” do casal logo suga Rydal, que acaba se envolvendo como cúmplice nas atividades ilícitas de Chester. O grupo acaba fugindo juntos e a trinca está formada. O estresse do relacionamento entre os personagens e as faíscas entre os três levam, praticamente, a delírios paranoicos.
Até aqui, pela descrição, tudo soa sedutor e aprazível. O problema é que os personagens não são nada interessantes. O público não é atraído por anti-heróis cujos quais não conhece as motivações. O público quer retratos complicados que provoquem emoções conflitantes. Ele quer saber o motivo da corrupção do anti-herói e, assim, acabar torcendo por seu código moral singular. Mas Chester, Colette e Ryan não são particularmente complexos, nem, tão pouco, apaixonantes. O resultado da fuga deles, ao longo de exuberantes locações, é tão importante quanto o resultado do jogo de futebol de um time de quinta divisão.
Acaba que, As Duas Faces de Janeiro, não possui a emoção necessária para que nos envolvamos com sua trama, não oferece ligação nenhuma com seus protagonistas e/ou sua jornada e se perde no pouco que acaba acertando. Um suspense no qual o único suspense é o motivo de o terem produzido.

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