“Após o falecimento de seu pai, o apático Gabriel parte para a praia da Armação para reformar e botar à venda a casa abandonada da família. Lá, ele encontra uma complexa trama em torno da lendária figura de Gaudério, seu avô.”
Escrito por Jessica Candal e Aly Muritiba, baseado na obra Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera, dirigido por Aly Muritiba, e estrelando Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ricardo Blat, Roberto Birindelli, Teca Pereira, Ivo Müller, Otávio Linhares, entre outros. Barba Ensopada de Sangue é uma adaptação literária, um drama repleto de mistério, reflexão e busca por identidade.
Habitantes dos cantos ensolarados dos vastos litorais brasileiros, sejam todos muito bem-vindos a mais uma crítica cinematográfica.

Hoje vamos falar sobre Barba Ensopada de Sangue, obra brasileira, Original Globoplay, com produção da RT Features, e distribuído pela O2 Play.
O filme abre com uma visita esquisita de um filho a casa de seu pai, lá, à medida que a conversa avança, cresce também a intimidade e os conflitos familiares, assim como também o peso e maturidade do conteúdo. E sobretudo conhecemos um pouco mais a fundo o pai, – cuja presença é breve – somos introduzidos a figura imagética de um avô e sua morte misteriosa, a um filho distante, mesmo que esteja a poucos centímetros de seu progenitor, e a cachorra da família, um vínculo sentimental que une a família.
Após as revelações, Gabriel decide ir para Armação (Santa Catarina), e morar na abandonada casa de seu avô (Gaudério – uma lenda local que a vida e morte é envolta em mistérios), para quem sabe reformar e vender. No entanto, como em um conto Lovecraftiano, os nativos, envoltos em segredos e crendices, afastam ativamente o jovem, o relegando a sua “casa de pedra”, conseguindo se aproximar apenas de poucas pessoas e locais que lhe dão alguma abertura.
Se tratando dos pontos positivos, podemos dizer que visualmente o filme é impressionante, pois a cinematografia, e a fotografia, são quase sempre ótimas, sabendo valorizar os cenários, ambientes naturais e urbanos, contrastando a beleza natural com a solidão e reclusão do protagonista, inclusive, em certas tomadas a imagem é pura poesia, pinturas em movimento que acentuam a expressão artística, proporcionando uma imersão emocional na obra, assim como uma experiência mais rica e interessante.
Em Barba Ensopada de Sangue, a busca por identidade, significado e pertencimento são as forças motrizes, sejam de maneira evidente ou velada em figuras de linguagem, tais temas nos levam a fazer uma reflexão pessoal. A jornada de Gabriel nos mostra como acontecimentos mal explicados, situações mal resolvidas, assim como questões internas e pessoais, nos moldam e direcionam as nossas vidas. Para nos conhecermos melhor, e nos libertamos de correntes invisíveis, precisamos identificá-los e solucionarmos.

Dentro da proposta e tema da produção, existem alguns pontos negativos, que não necessariamente estragam a experiência, no entanto, não é difícil de notá-los.
Em certos momentos, as atuações não alcançam a intensidade dramática exigida pelas cenas, soando por vezes pouco convincentes ou até mesmo, amadoras. Apesar da longa duração, – de quase 1h50 – algumas transições e cenas surgem de forma abrupta, sem a devida construção ou preparo, como se fossem alucinações ou incursões surrealistas. Esse recurso adiciona uma camada de estranheza desnecessária a um filme que não se beneficia desse tipo de abordagem.
O silêncio e as pausas, ainda que necessários para o desenvolver do clima, e acentuar a atmosfera, muitas vezes se tornam uma lacuna que ecoa alto demais, transformando algo contemplativo em um vazio desnecessário. E com isso a experiência pode ficar cansativa, retirando assim o espectador de dentro da história.
Tendo os prós e contras definidos, dentro da minha crítica uma nota justa para Barba Ensopada de Sangue é 3 de 5.







