Caminhos do Crime

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Entre redenção e obsessão, um neo-noir elegante que tropeça no próprio destino

“Mike Davis é um criminoso meticuloso que atua ao longo da rodovia 101 na Califórnia, e após um roubo traumático, passa a querer viver de outra forma. Mas sair dessa vida não será um trabalho fácil, ainda mais sendo perseguido por antigos companheiros, e um obcecado detetive.”

Escrito e dirigido por Bart Layton (American Animals), baseado na obra de Don Winslow, com cinematografia de Erik Wilson, e grandemente estrelado por Chris Hemsworth, Halle Berry, Mark Ruffalo, Monica Barbaro, Barry Keoghan, Corey Hawkins, Jennifer Jason Leigh, Nick Nolte, e Matthew Del Negro Caminhos do Crime é um suspense policial de ação, tenso do início ao fim.

Habitantes dos cantos ensolarados da internet, sejam todos muito bem-vindos a mais uma crítica cinematográfica.

Na bela e movimentada Los Angeles em que tudo e mais um pouco acontece, pode ser difícil distinguir o bem do mal, a realidade da ficção, e solucionar um crime perfeito, pode ser como encontrar uma agulha no palheiro. Ou talvez não tanto para o Detetive Lou Lubesnick, que apesar de estar vivendo um ponto baixo em sua vida, dentro de seu coração, uma chama ainda queima forte quando se trata de um caso em particular.

Quando um roubo dá minimamente errado para os padrões perfeccionistas de Mike, o fazendo encarar uma situação que revela a brevidade da vida, ele, – que é uma pessoa muito fechada em si mesmo – começa a ver o mundo com outros olhos, principalmente quando – por acidente – Maya entra em sua vida.

E é nesse cenário que estão todos os personagens dessa trama, como Mike, um ladrão de jóias impecável, Sharon Combs uma corretora de seguros lutando por uma promoção, Lou, um policial visto como fracassado, e Maya, uma jovem à procura do amor.

Para o bem ou para o mal a obra nos mostra personagens quebrados e ambíguos, com histórias densas e profundas que só podemos imaginar, e que em meio ao cansaço da rotina e do cotidiano, o que os dividem entre o sucesso e o “ser bem sucedido”, do fracasso e destruição, depende da tomada de decisões morais muito importantes. Sendo assim uma película sobre obsessão, identidade e como alguns caminhos e destinos são inevitáveis.

Um suspense de ação com características “Neo-Noir”, que depende sobretudo da cinematografia para que o desenvolvimento do roteiro, trama e atuações possam demonstrar toda a sua performance na telona.

O que me leva aos pontos negativos.

Mesmo que os elementos “noir” sejam bem perceptíveis, a abordagem moderna descaracteriza o subgênero, eliminando as características mais jocosas, porém, diluindo os pontos positivos que são esperados.

Os momentos finais tem um desfecho quase terrível, aguado e bobo, já que opta por uma resolução que prioriza o conforto emocional em detrimento da coerência dramática, e decidindo assim concretizar uma inversão de valores que ao longo da metragem se pronuncia, sobretudo na segunda metade.

No entanto, Caminhos do Crime, é um ótimo entretenimento, um action thriller atmosférico e sofisticado, que busca te conquistar não com explosões e cenas de luta cheias de adrenalina, e sim através de precisão estética e tensão psicológica.

Além da cinematografia afiada, que trabalha muito bem as cores e tons, enquadramentos e movimentos de câmera, nos inserindo junto com os atores dentro tanto dos momentos intimistas como nas perseguições, as atuações são pontuais, no sentido de que oferecem exatamente o que cada momento precisa, e cada personagem tem que entregar. Com destaque para Halle Berry, que é ótima nas cenas mais dramáticas, e Chris Hemsworth conduzindo um personagem “minimalista”.

Caminhos do Crime é uma ótima opção para agitar a sua noite, e ainda fazer pensar.

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