Cazuza é um grande poeta brasileiro. No fim das contas, é assim que ficou conhecido o famoso cantor do Barão Vermelho, que depois seguiu em carreira solo. Mas conhecido pra quem? Para as gerações que puderam acompanhar suas performances no palco, sua maneira única de viver e interpretar a vida, e de ser alheio ao que chamava de sociedade careta.
O que é bom agora é que esse documentário sobre Cazuza traz a oportunidade de novas gerações terem contato com esse ícone da música brasileira. E mais: a chance de, além de sua música, conhecer suas ideologias, seus impulsos e, principalmente, sua luta contra o HIV.

Cazuza, para muitos, é o cara. Tinha uma relação única com a família, com os amigos, e seus fãs eram convertidos aos mesmos pensamentos que o ídolo. Um cara que queria sempre mais, numa terra que estava tentando se livrar da ditadura e de todo o mal que ela trouxe. Não ficava quieto.
Mesmo sendo um playboy, ele aproveitou seu espaço e voz para discutir problemas. Suas canções são grandes hinos de resistência.
Claro que, como a maioria dos documentários, essa obra é algo para quem realmente admirava o artista. Ter Gilberto Gil tão encantado falando de um colega é realmente para poucos. E, junto a isso, a clareza e o amor de Lucinha Araújo falando do filho é uma oportunidade para refletir sobre como tratamos nossos ídolos.

É uma obra muito bem dirigida e produzida, mas que com certeza terá mais impacto para quem viveu no mesmo tempo que Cazuza e se encantou por ele.
Um cara intenso e que, por conta disso e de tantos outros motivos, infelizmente se foi cedo demais. Que bom ter algo novo contando a vida artística do poeta.








