Criaturas da Mente é um documentário brasileiro dirigido por Marcelo Gomes, que mergulha no universo dos sonhos através da perspectiva do neurocientista Sidarta Ribeiro. Ribeiro.
O sonho como motor da revolução humana. Esse é o mote de Sidarta Ribeiro, neurocientista brasileiro que, há 20 anos, estuda os mistérios do sonhar.
Sidarta que há duas décadas explora como os sonhos e outras formas de acesso ao inconsciente podem transformar a experiência humana. Em sua investigação, propõe unir os saberes ancestrais dos povos originários e de origem africana no Brasil ao conhecimento científico, além de uma reavaliação científica das experiências com alucinógenos.

O cineasta confessa que, durante a pandemia, perdeu a capacidade de sonhar, uma experiência que o levou a investigar a essência dos sonhos e sua relação com a criatividade. Ao encontrar um artigo de Sidarta Ribeiro, Gomes decidiu aprofundar-se nesse universo, associando sua interrupção onírica à impossibilidade de filmar no período. O cinema, para ele, é uma forma de sonhar acordado, uma extensão da arte como expressão do inconsciente. Essa perspectiva dá a tônica de sua obra, um encontro entre ciência, filosofia e poesia visual.
A pandemia, ao nos forçar ao isolamento, tornou-se um terreno fértil para a introspecção e a reavaliação da existência. Gomes canaliza essa experiência em um mergulho profundo não apenas nos sonhos, mas nas múltiplas formas de se relacionar com o imaterial: fé, rituais, estados alterados de consciência e preconceitos culturais. Sua exploração passa por práticas como o uso da ayahuasca e encontros com a natureza, como no caso do polvo que surge como uma figura simbólica de inteligência e mistério.
O filme propõe uma união entre o conhecimento científico e os saberes ancestrais dos povos originários e de matriz africana no Brasil, além de uma reavaliação científica das experiências com alucinógenos. A busca por compreender o significado dos sonhos é o fio condutor da narrativa, que acompanha Ribeiro em suas reflexões e diálogos com diversas personalidades.
Destaque para a proposta reflexiva e a figura cativante de Sidarta Ribeiro, enquanto há uma certa convencionalidade na forma como o tema é abordado. A articulação e o pensamento de Ribeiro são interessantes, tornando-o uma boa companhia enquanto está em cena. No entanto, o diretor Marcelo Gomes não se aprofunda em algumas questões levantadas, e a execução do filme, apesar de apresentar elementos como grafismos e trilha sonora atmosférica, não traz nada de particularmente novo ou surpreendente, chegando a ser “quase irritante” em sua convencionalidade.

O filme é interessante como uma “jornada impressionante pelos profundos paralelos entre o cinema e os sonhos”, tornando-o um chamado para se pensar sobre o inconsciente e destacando as reflexões que surgem ao longo da projeção, em uma singela proposta de compreensão do mundo através da união entre diferenças, com a leveza e o lirismo da abordagem, que se reflete na estética do longa-metragem. A forma como o filme conecta ideias no jardim de casas e em meio à natureza, transmitindo uma sensação de despojamento, também chamam a atenção.
Além do mais, o filme é um “prato cheio de reflexões com dose de Ayahuasca”, podemos comprar sua estética a documentários da National Geographic com toques surrealistas. É um retrato da filmografia do diretor e um filme sobre a conscientização do poder do inconsciente e do autocuidado.
Em suma, Criaturas da Mente é um documentário que estimula a reflexão sobre a importância dos sonhos e do inconsciente, impulsionado pela figura carismática e pelas ideias de Sidarta Ribeiro. No entanto, com uma execução formal que pode não apresentar grandes inovações.





