Demon

12.05.2016 │ 16:00

12.05.2016 │ 16:00

O casamento é normalmente um episódio feliz, em que duas pessoas que se amam decidem que vão ficar juntas para sempre e convidam um monte de gente, entre amigos e familiares, para contar a novidade em uma grande festa. Mas às vezes, principalmente em filmes de terror e drama, as coisas podem não ser tão lindas assim. Principalmente se você começar a colocar na trama elementos como vodca, chuva, lama, dybbuks, mais vodca, e talvez alguns esqueletos enterrados no quintal. E Marcin Wrona, diretor do terror da semana, Demon, botou tudo isso em um liquidificador e o resultado foi, no mínimo, bastante interessante e inusitado.
01
A história acompanha os preparativos para o casamento de Piotr ‘Pyton’ (Itay Tiran), um londrino descendente de poloneses, e Zaneta (Agnieszka Zulewska). O filme não explica bem como eles se conheceram, mas Piotr parece ter largado tudo em Londres para viver em uma ilhota na Polônia, morando na casa que eram dos avós de Zaneta. E enquanto ele está dando uma organizada no quintal, encontra alguns ossos humanos enterrados ali. Depois do episódio, que ele mantém em segredo para não estragar o casório, coisas estranhas começam a acontecer, tipo chamar a esposa pelo nome errado (isso é pepino dos grandes!), a tia da noiva se transforma em um dybbuk em meio a uma dança (dependendo da tia, isso é completamente entendível), ele se empolga e arranca as roupas na pista de dança, e até começa a falar iídiche (ser possuído por um dybbuk tem lá suas vantagens…).
02
Deu pra perceber que o filme é de terror (tem alma penada, pois o dybbuk não deixa de ser um fantasma perturbado), mas a comédia também anda solta em Demon. A forma como o casamento é retratado, com as confusões que a família passa para manter as aparências de que está tudo normal enquanto o noivo está no porão falando com uma voz feminina em iídiche (“Sirvam mais vodca”, ordena o pai da noiva, em uma atuação pra lá de cômica). E o médico que não bebe mais enchendo a cara, e um dos músicos transando com uma amiga da noiva enquanto seu irmão implora que eles continuem tocando para entreter os convidados, enquanto Piotr deve estar desejando que essa ideia absurda de casamento, com uma mulher que parece não estar preparada para os momentos de dificuldade de um casamento e sua família, todos personagens que ele apenas conhecia por skype, e que tiram sarro de seus erros no polonês, e que talvez sempre o encarem como um outsider. Algo que eles preferem esconder, disfarçar, enterrar no jardim, como os ossos que Piotr encontra. Ossos de um passado do qual a Polônia não gosta muito de falar a respeito, assim como a família de Zaneta faz.
03
Mas não desanimem, pois tem muita coisa de terror no filme. Apesar de o conjunto parecer absurdo, pois temos cenas da festa de casamento, que está a toda, entrecortadas pelo drama vivido pelo noivo, que parece ter sido possuído pelo espírito de Hannah, uma moça judia que vivia na região na época da Segunda Guerra e desapareceu misteriosamente. Então Piotr encontrou seus ossos no quintal? O que aconteceu? Quem é quem? Ah, tem bastante coisa pra desvendar, e você vai obter algumas respostas, e outras vão ficar sem resposta mesmo. E o clima sombrio, reforçado pela paisagem desolada de uma cidadezinha que parece semiabandonada, coroado pela incrível trilha sonora de deixar os cabelos em pé, vão te envolver até a última cena do filme.
05
Bom, se você está interessado em um filme de terror/comédia/drama com muitos elementos interessantes, que dá até vontade de ver mais de uma vez (eu vi duas em menos de um dia) para poder absorver mais e mais da história e de seus personagens, taqui um prato cheio pra você. Na zdrowie!
Nota:

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