Diva Futura

(2024) ‧ 2h08

Muito além do escândalo

Thais Wansaucheki

Há filmes que utilizam um universo pouco explorado pelo cinema para falar de questões muito maiores do que o tema aparenta. Diva Futura faz exatamente isso. Ambientado entre as décadas de 1980 e 1990, o longa retrata o desenvolvimento da indústria pornográfica na Itália sem reduzir sua narrativa a uma sucessão de cenas explícitas. Pelo contrário, o interesse da obra está muito mais nas pessoas que construíram esse mercado do que no espetáculo em si.

Quem conduz a história é Debora (Barbara Ronchi), secretária da agência Diva Futura. É através de seu olhar que o espectador acompanha o nascimento da produtora e conhece a visão de Riccardo Schicchi (Pietro Castellitto), responsável por transformar suas atrizes em verdadeiras celebridades. Ao mesmo tempo, Debora presencia os bastidores de um universo marcado por disputas, ciúmes, relações afetivas complexas e os inevitáveis altos e baixos da fama.

O maior acerto do filme está em construir seus personagens em várias camadas. Existe uma preocupação constante em apresentar tanto o glamour que cercava a indústria quanto as dificuldades enfrentadas por quem vivia dela. Atrizes, produtores e todos os envolvidos aparecem como indivíduos que enxergam sentido artístico naquilo que fazem, ao mesmo tempo em que precisam lidar com julgamentos, pressões e com a forma como a mídia transforma suas vidas em entretenimento.

Mais do que discutir pornografia, Diva Futura propõe uma reflexão delicada sobre amor livre, liberdade de expressão e os limites entre exposição, arte e exploração. A narrativa também observa como o público e os veículos de comunicação ajudaram a construir o fenômeno dessas mulheres, muitas vezes consumindo suas imagens sem a mesma disposição para compreender sua.

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