Drácula: Uma História de Amor Eterno

(2025) ‧ 2h09

"Drácula: Uma História de Amor Eterno": Gótico, romântico e... esculhambado

Ricardo Feldmann Dotto

Drácula: Uma História de Amor Eterno, dirigido por Luc Besson, é uma nova adaptação do clássico de Bram Stoker que tem uma abordagem mais focada no romance gótico e na busca eterna por amor.

A trama começa no século XV, com o Príncipe Vladimir, que, após a brutal perda de sua esposa Elisabeta, renega Deus e é amaldiçoado com a vida eterna, transformando-se no Conde Drácula. Condenado a vagar pelos séculos, sua única esperança é reencontrar seu amor perdido, o que o leva a uma longa e paciente espera por uma possível reencarnação de Elisabeta. Séculos depois, na Londres do século XIX, ele encontra Mina, uma mulher que guarda uma semelhança impressionante com sua amada, e então começa sua perseguição, selando seu próprio destino e o dela.

Diferente de outras versões que focam mais no terror puro, esta adaptação explora profundamente a tragédia romântica da história, a ideia de reencontro de almas e a tensão entre redenção e possessão eterna. A motivação de Drácula é, acima de tudo, o amor e a esperança de reencontrar sua amada.

O ator Caleb Landry Jones entrega um Drácula interessante, exótico, diferente, introspectivo e atormentado, que sofre e possui um charme discreto. Sua interpretação o torna um personagem dividido entre a tristeza de sua maldição e o perigo inerente à sua natureza vampírica. No entanto, há quem irá comparar sua versão envelhecida com a de Gary Oldman no filme de Coppola, pois realmente ficou extremamente similar, quase uma cópia.

Ainda temos no elenco o brilhante Christoph Waltz em um papel mal aproveitado, a talentosa Matilda de Angelis, também prejudica pelo fraco roteiro e a belíssima Zoe Bleu, que terá outras oportunidades com certeza.

A trilha sonora é boa por acompanhar as cenas de forma coreográfica e envolvente, transportando o espectador para a atmosfera do século XIX em Londres. A caracterização dos personagens, especialmente a de Drácula, também se destaca por ser bem elaborada, utilizando mais maquiagem do que computação gráfica na maioria dos momentos, o que contribui para a imersão. A fotografia e o figurino são lindos.

O filme transita entre o romance, o terror e a aventura de forma única. O público é levado a questionar de que lado está na história, seja torcendo pela busca incessante de Drácula ou sentindo o suspense nas cenas de seu castelo sombrio.

A essência da obra de Bram Stoker é mantida, mas novos elementos são introduzidos, como a fusão de personagens. Há um excesso de teatralidade em certas cenas, como as freiras sendo seduzidas ou as desnecessárias gárgulas que ganham vida, o que pode incomodar um pouco.

Em resumo, Drácula: Uma História de Amor Eterno é uma experiência cinematográfica que busca cativar o público através de um conto de fadas mais sombrio e realista, focado na poderosa força do amor e da esperança que perduram através dos séculos. Os atores são ótimos, a fotografia é bela, a trilha sonora é boa. No entanto, o enredo apurado e bagunçado estraga a experiência de um filme que poderia ser ótimo, mas no final se torna ruim.

O filme começa muito bem e promete bastante, mas ao se desenvolver se torna esculhambado demais. Realmente é uma pena. Ainda assim, para quem gosta de obras góticas, vale o ingresso. Mas aquelas gárgulas… por favor!

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