Em um pátio de Paris

26.03.2015 │ 12:20

26.03.2015 │ 12:20

A vida é uma loucura, isso é um fato. E usamos e muito o cinema para escapar dessa maluquice toda por algumas horas. Por algumas horas nos tornamos uma outra pessoa, um personagem diferente no palco da vida. Bom, e que tal se analisarmos esta loucura toda através de personagens em um filme? Bom, você pode usar Em um pátio de Paris pra repensar um pouco a vida.
Antoine (Gustave Kervern) está desanimado, deprimido, cansado da vida. Uma noite ele chuta o balde e, precisando se sustentar, procura uma ocupação. Como não tem experiência em nada (ou quase nada, já que ele era músico em uma banda), ele acaba indo trabalhar de zelador em um prédio em Paris. Mas ele parece feito pra função, e logo está bem adequado à rotina. Aos poucos ele vai conhecendo os moradores e suas particularidades, descobrindo que alguns são chatos e implicam com tudo, outros são neuróticos, e tem também os que só querem esquecer, os que se aproveitam da bondade alheia, entre muitos outros. Antoine se envolve na vida de todos, principalmente por ser incapaz de dizer não (o que normalmente é confundido com bondade e generosidade). Uma das moradoras, Mathilde, é uma senhora que se aposentou e não conseguiu se adaptar à rotina de ficar em casa, e começa a se isolar, ficar deprimida, neurótica.
O filme gira basicamente em torno das confusões que Antoine se mete ao tentar ajudar os moradores do prédio. Mas pelo menos ele está feliz, se ocupando dos problemas das outras pessoas e deixando os seus de lado. Ou pelo menos não tendo tempo de pensar neles. Parece mesmo uma boa maneira de resolver problemas, não é mesmo? E a gente tem a tendência de fazer como Antoine: se encher de atividades para pelo menos momentaneamente esquecer o que nos incomoda.
O filme não é assim uma comédia super comédia, mas tem umas cenas engraçadas, mas mais do tipo vergonha alheia. A verdade é que você acaba criando um laço com Antoine e começa a torcer para que ele não se dê tão mal, pelo menos. E nos identificamos com ele em vários aspectos (pelo menos eu senti assim). E também dá pra repensar um montão de coisas que fazemos na vida, e dos nãos que não temos coragem de dizer pra não magoar as pessoas, e ficamos torcendo pro Antoine começar a mandar a merda toda essa gente que abusa da bondade dele.
Bom, então se você quer passar umas horinhas fazendo uma análise da sua vida, aproveita que o Antoine tá disponível e corre pro cinema 😉

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