Entre Cercas

15.06.2016 │ 14:27

15.06.2016 │ 14:27

Guerras civis, governos ditatoriais e desastres naturais vêm causando que populações em massa fujam de seus países de origem há muitas gerações. Países como os Estados Unidos se formaram devido às perseguições religiosas que estavam ocorrendo na época na Europa, e até mesmo Israel foi fundada por um povo que sofreu perseguição por anos. E o fato de o povo judeu saber na pele o que é ser refugiado ajuda a deixar o documentário Entre Cercas, de Avi Mograbi, ainda mais complicado de entender e aceitar.
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O filme se passa em um centro de detenção para imigrantes ilegais, no deserto de Negev, no sul de Israel (próximo à fronteira com o Egito). Ali, o cineasta Avi Mograbi e o diretor de teatro Chen Alon trabalham técnicas do teatro com diversos refugiados africanos, principalmente da Eritreia e do Sudão, que estão sem documentos e não são aceitos em Israel, mas também não podem ir para outros lugares, como o vizinho Egito. A única oferta que o país faz é enviá-los de volta a seus países de origem, o que, com guerras, massacres e outros problemas, eles não podem aceitar.
O documentário mostra as interações entre refugiados e a equipe que está fazendo o filme, e depois ainda acrescenta israelenses convidados para fazer parte dos exercícios de atuação. Sem perder o bom humor, os refugiados falam de suas experiências com guerras, perseguições, famílias separadas, trabalho, planos para um futuro muito incerto. E a interação entre esses diferentes grupos parece muito positiva para todos, que invertem papéis e conseguem se sentir um pouco mais na pele do outro.
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E um dos temas recorrentes no Olhar de Cinema volta à telona novamente: a mistura entre realidade e ficção no documentário, pois o filme mostra refugiados falando de suas experiências enquanto preparam um teatro, com falas escritas e ensaiadas. De novo temos as linhas do que é verdade e do que é inventado borradas em mais um filme do festival.
Nota:

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Varilux

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