Faz de Conta que é Paris

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"Faz de Conta que é Paris": Uma viagem que não sai do lugar

Faz de Conta que é Paris parte de uma premissa curiosa e com grande potencial emocional: três irmãos tentam realizar o último desejo do pai doente, levando-o, mesmo que de mentira, a Paris. Inspirado em uma história real, o longa poderia ter seguido por um caminho mais sensível ou até mais ousado, mas Leonardo Pieraccioni escolhe a rota mais segura — e, infelizmente, a menos inspirada.

O cenário, que se mantém praticamente restrito a um estábulo, é sintomático da limitação do próprio roteiro. A viagem ilusória, que poderia ser um recurso criativo para explorar lembranças, reconciliações e revelações, acaba reduzida a uma sequência de esquetes frouxas, sem ritmo ou propósito claro. O resultado é uma comédia sem timing e um drama sem profundidade.

Os personagens centrais carecem de camadas e desenvolvimento. Mesmo com a presença carismática de Chiara Francini, Giulia Bevilacqua e Nino Frassica, suas interações soam artificiais, como se nunca tivessem vivido de fato uma história em comum. O ressentimento entre os irmãos, que deveria ser um dos motores dramáticos da trama, é mal construído e raramente convincente.

Há uma tentativa constante de equilibrar leveza e emoção, mas o filme nunca encontra esse tom. Os momentos cômicos beiram o pastelão, sem inspiração, enquanto as tentativas de comoção surgem abruptas, sem o preparo necessário para tocar de verdade. Pieraccioni, que também dirige e atua, parece dividido entre o humor ingênuo e a vontade de dizer algo maior — e fracassa em ambos.

Tecnicamente, Faz de Conta que é Paris é correto, mas pouco memorável. A trilha sonora e a fotografia cumprem suas funções, mas não agregam textura à narrativa. Falta ambição estética e, principalmente, narrativa. O filme parece se contentar em ser apenas simpático, quando poderia ter sido muito mais.

Apesar das boas intenções e de alguns lampejos de ternura, a história não se sustenta. As resoluções são apressadas, os conflitos são superficiais e a jornada emocional dos personagens não convence. Quando os créditos sobem, fica a sensação de que a maior viagem aqui foi o desperdício do que poderia ter sido uma bela fábula familiar.

Faz de Conta que é Paris termina como começou: uma promessa que nunca se realiza. Para quem esperava rir, se emocionar ou ao menos refletir, o filme oferece pouco mais que uma encenação vazia. É uma pena, porque com mais ousadia e cuidado, essa história merecia ter realmente saído do lugar.

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