“Tem algo de errado com o Ben”.
Escrito por Johannes Roberts e Ernest Rier, dirigido por Roberts, com cinematografia de Stephen Murphy, e estrelado por Johnny Sequoyah, Miguel Torres Umba, Victoria Wyant, Jessica Alexander, Gia Hunter, Troy Kotsur e Benjamin Cheng, O Primata é uma grata surpresa do chamado “Horror Natural”.
Lucy está retornando para casa depois de ficar um bom tempo fora para se curar de uma perda profundamente dolorosa, no avião encontra sua melhor amiga, Kate, e Hannah, além de fazer amizade com uma dupla de garotos. Chegando no aeroporto, Nick, irmão de Hannah os espera, e com ele, as amigas vão todas para a casa da protagonista. Além de seu pai, Adam, e sua irmã, Erin, seu lar – uma mansão isolada no topo de uma arbórea colina – é habitado por um familiar diferente, o chimpanzé Ben.
Não é segredo para ninguém que O Primata gira em torno de uma premissa simples, a família abriga um chimpanzé em seu seio, ele eventualmente contrai o vírus da raiva, perdendo totalmente o controle, atacando quem estiver em seu caminho. Tem tudo para ser um filme péssimo, sem a menor qualidade para estar em uma sala de cinema, não é mesmo?

Mas é aí que você se engana.
Levando todos os aspectos em consideração, aqui os envolvidos fizeram um ótimo trabalho para entregar um entretenimento de qualidade, principalmente para os fãs de um terror envolvente, cheio de antecipação, suspense, e de um GORE ABSURDO nas mortes.
“TÁ SAINDO DA JAULA O MONSTRO”.
Como pontos positivos, temos:
- A cinematografia, que sabe nos colocar em cada cena, ela contribui para o suspense e storytelling, assim como também exaltando a beleza dos cenários.
- O terror e a tensão são construídos aos poucos, crescentes, principalmente nos momentos em que Ben busca o protagonismo.
- Os efeitos práticos são dignos de grandes produções, agregando qualidade intrínseca, veracidade nas ações, e ajudando a construir uma atmosfera única.
No entanto, a produção tropeça em alguns quesitos, não necessariamente por incompetência, mas, talvez, por restrições orçamentárias:
O ponto negativo principal está na previsibilidade, não existe um mistério muito grande, qualquer um é capaz de imaginar quais as consequências, e o filme entrega a mais a que comum delas.
Outra característica negativa bastante presente, é a falta de conexão com os personagens, ainda que exista algum background, pouca coisa acontece para que nos importamos ou possamos detestar os personagens. Soa como “estão lá apenas para morrer mesmo”.

E por fim, em alguns momentos os personagens parecem não saber dar a devida importância para aquilo que está diante deles, dando a impressão de que não estão agindo de acordo com o esperado.
Esse filme me trouxe a reflexão de que, nós podemos – até mesmo de maneira consciente – estar vivendo lado-a-lado com o perigo, e mesmo assim, quando o “rojão estoura”, e tudo de errado acontece, nós não temos o menor preparo para combater a ameaça.
De maneira geral, é um bom entretenimento, principalmente para quem procura um filme que possa ao mesmo tempo ser divertido, também ser incrivelmente sangrento.
Seja para assistir sozinho ou entre amigos, vá ao cinema para ter uma experiência mais imersiva.
Para O Primata uma nota 3 de 5.




