Gigi

(1958) ‧ 1h55

04.08.1958

A vitória de "Gigi" no Oscar de Melhor Filme é uma relíquia de sua época

Quando ganhou o Oscar de Melhor Filme, Gigi foi apenas o segundo musical a ganhar esse prêmio. Foi um prenúncio do que estava por vir na década de 1960, que ficaria conhecida como a década do musical, pelo menos no que diz respeito ao Oscar.

Gigi não só ganhou como Melhor Filme, mas em todas as nove categorias as quais foi indicado, também levando para casa as categorias de Direção, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Edição, Trilha Sonora e Canção. Assistido hoje, é difícil compreender o burburinho do filme na comunidade cinematográfica do final dos anos 1950. Ele é uma produção agradável, mas carece dos traços de grandeza que se poderia esperar de uma produção tão prestigiada.

O filme foi adaptado para o cinema por Alan Jay Lerner. Este foi o primeiro musical que Lerner e seu colaborador, Frederick Loewe, desenvolveram para o cinema (antes eles trabalhavam juntos no teatro). Ao longo dos anos, vários de seus trabalhos teatrais, incluindo Minha Bela Dama e Camelot, receberam adaptações para o cinema, mas Gigi foi o único que fez o caminho contrário. Em tom e estilo, a música é muito semelhante em todos os seus trabalhos (“Say a Prayer for Me Tonight”, que Gigi canta para seu gato, foi escrita originalmente para Minha Bela Dama – para ver como tudo se misturava no universo da obra deles).

Gigi apresenta algumas canções e algumas delas foram regravadas inúmeras vezes e podem ser reconhecidas até mesmo por quem nunca ouviu falar de Gigi. Leslie Caron acabou sendo escalada como a protagonista, embora originalmente os produtores quisessem Audrey Hepburn como Gigi (ela desempenhou o papel em uma adaptação não musical no início dos anos 1950), mas ela recusou.

Quando pessoas mais velhas reclamam que não fazem filmes românticos como antigamente, provavelmente estão se referindo a filmes como Gigi. É uma produção adorável – leve, descompromissada e sem grandes conflitos. As cores e o formato de tela widescreen conferem-lhe uma aparência moderna, mesmo que muitos aspectos da produção sejam antiquados.

É difícil imaginar alguém não gostando de Gigi – é agradável, especialmente se você gosta de musicais e aprecia romances onde um beijo é o auge da paixão. No entanto, a vitória de Gigi no Oscar de Melhor Filme é uma relíquia de sua época. A passagem do tempo diminuiu sua grandeza, ao mesmo tempo que lhe proporcionou um elemento nostálgico que lhe permite funcionar – embora de uma maneira diferente – quando visto hoje.

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AUTOR

Felipe Fornari

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