Homem com H

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23.04.2025

"Homem com H" traz à tona a virilidade e a coragem de um dos maiores artistas do Brasil!

Homem com H é um filme desafiador que explora temas de identidade e auto aceitação. A narrativa é envolvente, apresentando a história de um homem que, ao longo de sua jornada, enfrenta desafios e preconceitos relacionados à sua sexualidade. Jesuíta Barbosa (Praia do Futuro) interpreta Ney de forma impressionantemente visceral, ele nos surpreende com olhares e trejeitos que, para quem, assim como eu, viveu na década de 1970 até assusta enxergando um no outro.

Desde o princípio do filme o pai do artista (Rômulo Braga) aparece como o contraponto que faz Ney se rebelar contra tudo e todos. Na fala em que ele sai de casa o pai se revolta e grita: “Eu não quero filho viado!” A resposta é imediata, de alguém que não se conforma com imposições: “Eu não sou viado! Mas quando eu for, o Brasil inteiro vai saber!”. A mãe de Ney (Hermila Guedes) mais tarde irá comparar pai e filho nas similaridades. Diz que os dois só fazem o que querem, ariscos, cabreiros, difíceis de dobrar.

Ney desafiou padrões de comportamento. Rebelde e transgressor ele enfrenta tudo com hombridade e determinação. Seus grandes amores Cazuza (Julio Reis) e Marco de Maria (Bruno Montaleone) marido de Ney por 13 anos morrem de HIV e nas mortes aparece a verdade deste homem destemido que enfrenta o melhor e o pior como um verdadeiro “Homem com H”! É lindo quando no filme ele está dirigindo o show de Cazuza que ao cantar “O Tempo Não Pára” há um blecaute nos anunciando a morte daquele que até hoje é lembrado como “Exagerado”!

Verdade seja dita, o filme é lindo, mesmo mostrando “a dor e a delícia” de ser Ney Matogrosso. As cenas íntimas não são banais, quebrando tabus e promovendo aceitação. E quase que Ney não grava um de seus maiores sucessos, tema do filme, por não acreditar que poderia interpretar um forró e dizer que a canção não lhe batia. Quem convenceu foi o amigo Gonzaguinha dizendo que “Se ele não gravasse essa música, ninguém mais poderia fazer isso!” Os versos sexistas de duplo sentido caíram no gosto do público e até os homofóbicos de plantão, ironicamente, gostaram da música.

Senti falta da música “Bandoleiro”, que foi escrita pelas compositoras Luhli (que aparece no filme apresentando João Ricardo, companheiro de Secos e Molhados para Ney, e Lucina, que contribuíram muito para o repertório de Ney, mas ficaram esquecidas durante bastante tempo. A canção é um clássico do artista.

Homem com H é mais do que uma cinebiografia: é um retrato sensível e corajoso de um artista que ousou ser ele mesmo em um país conservador. Ao entrelaçar arte, política, desejo e resistência, o filme homenageia a trajetória única de Ney Matogrosso com potência visual e emocional, nos lembrando que sua presença — assim como sua voz — continua ecoando com força, desafiando normas e celebrando a liberdade de existir.

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AUTOR

Lygia Richard

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