Inverno em Paris

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07.10.2024

“Inverno em Paris”: Um coming of age que nos apresenta o maravilhoso Paul Kircher em seu primeiro papel nos cinemas

Aqui vão algumas informações rápidas sobre o filme:

  1. É um “coming of age” dirigido por Christophe Honoré.
  2. A premiadíssima Juliette Binoche interpreta Isabelle, mãe de Lucas.
  3. Paul Kircher ganhou o César de Melhor Ator no Festival de Veneza de 2024 pelo seu papel como Lucas.
  4. Tem temática LGBTQIA+.
  5. Trata de assuntos sensíveis, como suicídio e luto.

Qual a história de “Inverno em Paris”?

Lucas, de 17 anos, está no último ano de internato quando a morte súbita de seu pai destrói tudo o que ele tinha como garantido. Cheio de raiva e desespero, ele visita seu irmão mais velho em Paris para buscar consolo na nova cidade.

Um bom filme, mas com o título errado

Em francês, o filme recebeu o nome de Le lycéen, que significa em tradução livre algo como o estudante de ensino médio. O que faz sentido, porque o filme gira em torno de Lucas, que é um estudante. O filme é o retrato de um amadurecimento que Lucas precisa passar após o falecimento de seu pai.

Le lycéen foi traduzido para Winter boy em inglês. Não acho tão ruim, já que podemos associar inverno com uma fase difícil. Mas daí para Inverno em Paris foi uma má escolha. Entendo que usar Paris no nome agrega valor comercial. E existe uma lista enorme de filmes que utilizam esse recurso para chamar público. E não só com Paris, mas também Nova Iorque (aqui preferem o outono por causa das árvores do Central Park), Barcelona, Tóquio, Havai, e por aí vai.

Muitas pessoas podem esperar um tipo de filme por conta do título e encontrar outro. Na verdade, Paris mal aparece. O foco não é ela. Eu terminei o filme tentando me lembrar do filme. Quando reli, me perguntei porque nomearam com algo tão banal, porque foge da essência do original.

Como disse, entendo que foi uma escolha puramente comercial. Porém, uma escolha burra.

A atuação luminosa de Paul Kircher

Para o papel de Lucas, mais de 300 jovens tiveram a oportunidade de se apresentar para Christophe Honoré. E o escolhido foi o iniciante Paul Kircher. E que escolha surpreendente! Kircher é um daqueles talentos que iluminam a tela do cinema quando aparecem em cena! O ator possui um sorriso cativante e entrega verdade em sua atuação. Junto com Juliette Binoche e Vicent Lacoste, Kircher conseguiu extrair o seu melhor. Estou ansioso para acompanhar a carreira desse jovem ator.

O personagem de Kircher é gay, mas o foco da história é outro

É engraçado como a palavra gay virou até gênero audiovisual. Talvez, porque se tornou comum histórias com esses personagens tratarem exclusivamente sobre suas vidas sexuais. Já com Lucas, protagonista de Inverno em Paris, ser gay não delimitou o tom do filme. Na verdade, a história poderia ser contada da mesma forma ele sendo hétero ou até mesmo sendo uma menina. Claro que outros personagens também teriam seus gêneros modificados.

Mas o que eu quero dizer é que a trama gira em torno de assuntos mais universais, e menos em assuntos específicos, como os retratados em filmes LGBTQIA+. Luto, medo do futuro, escolhas de vida, amor, dor, amadurecimento, todos são temas universais. E por esse motivo eu achei o filme genial. Que venham mais filmes assim!

Vale a pena ver “Inverno em Paris”?

Se você for assistir ao filme buscando imagens de Paris, a resposta é: não vale a pena! Mas não é culpa do filme, nem sua, mas de quem escolheu (talvez sem nem sequer ter assistido ao longa). Tampouco é mostrada a cultura parisiense. Ela, inclusive, é motivo de chacota em alguns diálogos. O filme retrata mais o interior, e personagens que saíram do interior, do que a capital em si.

Tirando esse fato (realmente a escolha do título me irritou), o filme é ótimo. Lucas é um personagem maravilhoso e cativante. Eu recomendo que você assista a esse filme. Vá em frente!

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AUTOR

Viní­cius Gratão

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