Iracema – Uma Transa Amazônica

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30.03.1981

"Iracema – Uma Transa Amazônica": Entre a crítica social e o peso do tempo

O que esperar de um relançamento de um semidocumental? Qualidade, crítica social, fatos históricos? Pois é, Iracema tem tudo isso — algumas coisas meio de raspão, mas tem.

Mas, infelizmente, que áudio horrível! Parece ter sido simplesmente um relançamento sem qualquer cuidado técnico. E como esse áudio ruim atrapalha qualquer possibilidade de compreensão do filme. Tudo de importante está lá, mas assistir chega a ser cansativo.

E, de certa forma, envelhecer mal também é um problema — desnecessariamente, pela exposição do corpo feminino. O filme parece preservar as mulheres por não mostrar cenas de sexo explícito. Preserva coisa nenhuma. Em determinado momento, parece proveitoso para o diretor colocar seios femininos à mostra no meio de um diálogo entre duas mulheres. Para quê? Qual o contexto? Provavelmente apenas para agradar aos marmanjos do set na época, como a indústria fazia com frequência.

É um filme machista que poderia ter explorado muito mais a questão do desmatamento e do processo desenfreado de “progresso” na Amazônia. Mas essas partes se resumem a pequenos diálogos de bolso, jogados sem profundidade.

Os diálogos são fracos e mal aproveitados. Não dá para saber se originalmente o filme valia a pena, mas, honestamente, o relançamento dá preguiça até nos ouvidos. Parece uma crítica social meio “esquerda cirandeira”, sem potência real.

Como diria Chaves: “Melhor assistir ao filme do Pelé”. Aliás, até Chaves sabia escalar melhor a crítica social.

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AUTOR

Tina Santos

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