Justiça Artificial chega aos cinemas como um thriller de ficção científica estrelado por Chris Pratt e Rebecca Ferguson com uma premissa provocativa: um sistema de inteligência artificial juíza, júri e carrasco que julga e executa criminosos em apenas 90 minutos. A produção faz parte de um subgênero de thrillers futuristas que abordam IA no sistema de justiça, explorando temas de culpa, tecnologia e vigilância digital.
A trama se passa em um futuro distópico em Los Angeles (ano de 2029) onde um sistema de Justiça totalmente automatizado, a juíza de IA chamada Maddox, julga suspeitos de crimes capitais em um prazo extremamente curto. Chris Raven (Chris Pratt), um detetive que ajudou a desenvolver essa tecnologia, acorda acusado de assassinar sua esposa e tem apenas 90 minutos para provar sua inocência antes de ser executado pelo sistema.

O longa de 1h41 começa com uma ideia forte e atual: o futuro da justiça controlado por algoritmos e dados onipresentes. Isso cria um cenário de alta tensão e urgência (o tempo correndo em tempo real), que funciona bem como motor narrativo. Porém, mesmo com esse gancho inicial interessante, o roteiro falha em desenvolver sua própria proposta de forma satisfatória. Em vez de aprofundar a discussão sobre ética, privacidade e poder tecnológico, a história se perde em plot twists previsíveis e lógica interna inconsistente. O enredo é confuso e cheio de buracos, com decisões motivadas mais por conveniência do que por lógica interna.
O filme quase não explora as implicações morais e sociais de um sistema judicial automatizado, ficando raso em vez de aprofundar o debate. A opção por uma estética screenlife (muita interação com telas e interfaces digitais) dilui a tensão em vez de intensificá-la, criando uma sensação visual cansativa.
Rebecca Ferguson, como a IA juíza Maddox, é um dos poucos elementos realmente interessantes, sua performance fria e mecanizada muitas vezes se destaca em meio à narrativa desigual. Chris Pratt, com atuação limitada em grande parte de suas cenas (preso a uma cadeira), consegue segurar razoavelmente a tensão do personagem principal.

Apesar de uma ideia que poderia render uma reflexão contundente sobre tecnologia, justiça e vigilância digital, grande parte do roteiro é confuso, previsível e mal estruturado. A trama falha em desenvolver um arco emocional convincente e frequentemente recorre a convenções genéricas do gênero sci-fi e thrillers policiais. A opção pela linguagem screenlife, em que a maior parte da narrativa é mostrada através de telas de dispositivos e interfaces digitais, deveria trazer modernidade e imersão. Porém, isso resulta em um visual poluído e cansativo, que diminui o impacto dramático em vez de reforçá-lo.
No geral, Justiça Artificial tem uma ideia de partida instigante e um ritmo que pode manter o público interessado, mas falha em se tornar um filme completo e impactante, tanto no aspecto narrativo quanto no temático. Em resumo, é um thriller de sci-fi com bom ponto de partida, mas que tropeça na execução. Justiça Artificial tem uma premissa cinematográfica forte e relevante para os debates atuais sobre IA e sociedade, mas a execução deixa a desejar em praticamente todos os aspectos, do roteiro à direção e ritmo narrativo, é mais fraco do que sua ambição, e embora possa atrair curiosidade inicial, dificilmente será lembrado como um clássico moderno de ficção científica.
Recomendado talvez para quem gosta de propostas futuristas rápidas, mas não para quem procura profundidade filosófica ou crítica social bem trabalhada. Forte candidato a pior filme do ano.




