Luxemburgo, Luxemburgo

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25.09.2023

Para uma comédia, "Luxemburgo, Luxemburgo" oferece uma jornada muito mais melancólica do que se espera

A história sobre irmãos gêmeos e seu pai escapa das convenções do gênero com uma autoconfiança que seria mais associada a um diretor como Danny Boyle. Conhecemos Kolya e Vasya (interpretados por Adrian e Daniel Suleiman) durante uma viagem de trem em sua infância. O adulto Kolya é quem narra a história – explicando o relacionamento do menino com seu pai, que constitui o ponto emocional crucial do filme – e suas reflexões são ilustradas por visuais acelerados enquanto observamos Vasya correr para buscar o pai após Kolya ficar preso na parte de trás do trem que está ganhando velocidade.

Trens desgovernados eram, é claro, um elemento básico do cinema mudo, e isso também indica que o humor visual será tão importante para o filme quanto o roteiro. A narração, no entanto, deixa claro que, pelo menos para Kolya, o pai deles é um herói, apesar do fato de que, depois de duas décadas, eles não têm uma ideia real de onde ele está, muito menos contato com ele.

Os adultos Kolya e Vasya (agora interpretados por Amil e Ramil Nasirov) podem parecer iguais, mas, de maneira tradicional, seus caminhos divergiram. Kolya ainda mora em casa, onde sua mãe o trata como se ele tivesse seis anos, e odeia o trabalho de motorista de ônibus que ele faz durante o dia, enquanto se envolve com o tráfico de drogas paralelamente. Enquanto isso, Vasya está tentando progredir na força policial, uma tarefa dificultada pela reputação de seu irmão, enquanto é intimidado por sua esposa em casa por não estar disposto a fazer coisas erradas por um dinheiro extra.

O pai retorna para dar movimento à trama, não pessoalmente, mas através de um telefonema do Consulado do Luxemburgo, dizendo que ele está gravemente doente e perguntando se eles querem se despedir. Como em todas as coisas, os irmãos seguem em direções diferentes, com Kolya querendo ir e Vasya determinado a ficar.

O diretor Antonio Luckich nos leva, junto com seus protagonistas, em uma jornada, mas antes disso, ele coloca todas as peças no tabuleiro. O amor de Luckich pela comédia visual está em toda parte. Ele extrai humor visual de tudo. O design de produção de Vlad Odudenko também é impecável, pois ele cria uma sucessão de pequenos mundos. Embora a trama seja sinuosa, a energia na direção de Luckich está constantemente em evidência.

Quando o par de protagonistas finalmente chega ao final de sua história, eles descobrem a verdade de que a vida é mais sobre uma jornada do que sobre sair de um ponto de origem para um destino final, mas Luckich garante que estamos envolvidos o suficiente em suas aventuras para que a transição da comédia para o ato final seja fluida e natural.

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AUTOR

Felipe Fornari

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