Marguerite

07.06.2016 │ 14:30

07.06.2016 │ 14:30

Marguerite é um drama que te engana logo de cara. Disfarçado de um momento cômico, o início é para chorar de rir com essa mulher que vai se apresentar como uma cantora lírica só para nos revelar que não sabe cantar bulhufas. Explico. Marguerite (Catherine Frot) é incapaz de distinguir sons musicais (o chamado tone deaf em inglês), o que significa que ela basicamente acha que está arrasando, mas só com nossos tímpanos mesmo.
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Vou situá-los melhor. Estamos em Paris, 1920, em uma festa privada, com jornalistas e conhecidos da Senhora Marguerite. Ela é uma pessoa solitária, o marido não a ama e a trai com uma das convidadas. A música é sua grande paixão, e ela acredita piamente que canta bem, pois ninguém ao seu redor tem coragem de dizer a verdade. A figura de Marguerite é inspirada em Florence Foster Jenkins, uma americana filha de banqueiro e riquíssima dos anos 40 que se apresentava e nunca conseguia alcançar a nota a que se propunha. Ela fazia sucesso devido à péssima condição humana de se deleitar com a desgraça alheia.
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Pois bem, voltando à festa em questão. Os jornalistas oportunistas que ali se encontram escrevem uma resenha que chega a dizer que sua voz parece exorcizar um demônio, mas sob sua perspectiva otimista da vida, Marguerite encara como um elogio. O problema é que, por mais que ninguém de fato se importe com ela, os mais próximos que estão ao seu redor, seu marido Georges (André Marcon) e seu mordomo Madelbos (Denis Mpunga), elaboram esse esquema para que ela nunca tenha que descobrir a verdade de sua voz. Discutiria horas sobre como não se pode tratar ninguém dessa forma, enclausurá-la numa redoma de vidro e protegê-la da decepção, da rejeição, pois são situações que fazem parte da vida. Por isso mesmo, nos identificamos com Marguerite, que é a vítima da história, sem ter pedido para sê-la.
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O filme é separado por capítulos, até chegarmos ao clímax, quando ela finalmente descobre que tudo foi uma farsa e sua voz é bem pior do que jamais havia imaginado. Madelbos tem tamanha admiração e um carinho doentio por Marguerite que registra seus momentos em fotografias e se você for como eu, sentirá um arrepio a uma certa hora inoportuna em que ele decide fazê-lo.
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Lembrando que a performance de Catherine Frot ganhou o César e que o filme tem um belo desenlace dramático, além de haver uma filmagem americana em produção sobre a vida dela, interpretada por Meryl Streep (quem mais, né? [video_lightbox_youtube video_id=”413JDhE9eXo&showinfo=0″ width=”640″ height=”360″ anchor=”veja o trailer aqui”]), não deixe de conferir esse filme incrível que vai fazer você recorrer a uma caixa de lenços.
Nota:

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Varilux

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