Meu Ano em Oxford parte de uma premissa promissora: uma jovem americana que realiza o sonho de estudar na prestigiada Universidade de Oxford e, no processo, vive uma jornada de descobertas emocionais e amorosas. No entanto, o que poderia ser uma história tocante e inspiradora sobre amadurecimento e reconciliação entre razão e emoção se transforma num drama romântico inconsistente e cheio de atalhos emocionais pouco convincentes.
A protagonista Anna, interpretada por Sofia Carson, é apresentada como uma mulher determinada, que coloca sua carreira e sua ambição como prioridades. Mas essas características, embora ditas com frequência, raramente são demonstradas de maneira sólida ao longo do filme. Logo que Jamie (Corey Mylchreest) entra em cena, o enredo passa a girar em torno do romance dos dois, esvaziando a jornada pessoal da protagonista e deslocando o centro emocional da narrativa.

O relacionamento entre Anna e Jamie até começa com alguma leveza e charme, sustentado pela química entre os atores. Mas a maneira como o envolvimento se desenvolve — com situações forçadas, triangulações desnecessárias e reviravoltas previsíveis — faz com que o espectador nunca mergulhe de verdade na história. O melodrama toma conta rapidamente, e o que deveria ser um dilema interno da protagonista se dilui em cenas que priorizam o sofrimento romântico masculino.
A tentativa de dar profundidade ao personagem de Jamie, com o segredo que carrega e os conflitos familiares mal resolvidos, acaba por eclipsar qualquer traço de protagonismo da personagem principal. Anna se torna quase uma coadjuvante da própria história, reduzida à função de catalisadora emocional dos dilemas alheios — o que enfraquece bastante a proposta inicial do longa.
Apesar dos problemas de roteiro e estrutura, Meu Ano em Oxford tem seus méritos técnicos. A trilha sonora e a fotografia trazem um certo brilho às cenas de romance e aos momentos mais lúdicos, criando passagens visualmente agradáveis, ainda que insuficientes para sustentar o conjunto. Há uma montagem final particularmente eficaz que, embora estilizada, chega tarde demais para resgatar a força da narrativa.

Sofia Carson se entrega ao papel com energia e vulnerabilidade, mostrando novamente carisma e timing emocional — como já havia feito em A Lista da Minha Vida. Corey Mylchreest também convence, ainda que preso a um arco previsível. Entre os coadjuvantes, quem realmente brilha é Harry Trevaldwyn, que interpreta Charlie com uma irreverência que remete a Rhys Ifans em Um Lugar Chamado Notting Hill, roubando a cena sempre que aparece.
Ao fim, Meu Ano em Oxford parece não confiar na própria protagonista nem na complexidade de sua trajetória. Tudo o que filmes como A Culpa é das Estrelas e Queria Estar Aqui conseguem ao explorar a dor, o afeto e as escolhas difíceis com sinceridade, este longa transforma em soluções fáceis e melodramáticas. Faltou coragem para aprofundar conflitos e entregar algo que estivesse à altura do potencial da história original.







