Olhos de Wakanda chega como um promissor derivado do universo do Pantera Negra, e, à primeira vista, entrega exatamente o que os fãs poderiam esperar: animação deslumbrante, ação visceral e uma imersão mais profunda na cultura de Wakanda. No entanto, embora a série brilhe tecnicamente, ela tropeça justamente onde mais poderia se destacar — na sua brevidade. Com apenas quatro episódios curtos, a sensação que fica é de que mal arranhamos a superfície do potencial que a premissa oferece.
A proposta da série é fascinante. Em vez de focar nas figuras mais conhecidas do Universo Marvel, Olhos de Wakanda dá protagonismo aos Hatut Zeraze, ou War Dogs — uma espécie de força especial secreta que viaja pelo mundo para recuperar artefatos de vibranium perdidos. É uma ideia potente, que expande a mitologia wakandana para além das muralhas vistas nos filmes e apresenta a nação como um agente ativo e milenar na proteção de seus recursos e cultura.

Cada episódio se passa em uma época diferente, indo do Egito Antigo ao século XIX, o que permite explorar visualmente diferentes contextos históricos. Esse formato antológico é intrigante e oferece liberdade criativa. No entanto, ao não permitir que personagens e tramas se desenvolvam por mais de 20 minutos, a série limita o envolvimento emocional do público. Quando finalmente começamos a nos importar com alguém ou entender a dimensão de suas motivações, o episódio já está se encerrando — e nunca mais voltamos àquele arco.
Apesar disso, a produção acerta ao manter o padrão estético que se espera do universo de Pantera Negra. A animação, com traços mais clássicos da Disney e cenários ricos em detalhes, lembra belas artes conceituais em movimento. É uma escolha que valoriza o visual e reforça a ideia de que estamos acompanhando uma narrativa tão ancestral quanto mítica. E quando a ação começa, não decepciona: lutas corpo a corpo bem coreografadas e um tom surpreendentemente brutal, mesmo em uma série animada, mostram que Wakanda protege seus segredos a qualquer custo.
O elenco de vozes também contribui significativamente para a qualidade da série. Cress Williams, como o War Dog renegado conhecido como The Lion, impõe respeito logo no primeiro episódio. Jacques Colimon e Anika Noni Rose aparecem em momentos distintos, mas deixam marcas fortes em suas interpretações, ajudando a dar vida e carisma a personagens que, infelizmente, têm pouco tempo de tela.

Ainda que contenha participações que animam os fãs mais atentos do estúdio — incluindo uma inesperada conexão com Punho de Ferro —, a sensação final é de que Olhos de Wakanda funciona mais como um aperitivo do que como uma obra completa. A série lembra os curtas especiais em DVD que a Marvel produzia anos atrás: divertidos, visualmente interessantes, mas sem o peso ou a profundidade que um título principal exigiria.
Olhos de Wakanda merece mais episódios, mais espaço para respirar e mais tempo para que suas ideias se expandam. O universo que a série tenta explorar é vasto demais para ser contido em quatro pequenos episódios. Se houver uma segunda temporada — e esperamos que aconteça —, que ela seja mais generosa com seu próprio tempo. Wakanda, com sua história milenar e rica, tem muito mais a mostrar do que essa minissérie permite.


































































































































