Misty: A História De Erroll Garner apresenta a trajetória particular de um dos maiores pianistas de jazz, com a genialidade de um autodidata e que acabou reescrevendo toda história musical do jazz, durante o período da guerra fria, onde teve que enfrentar a bipolarização política e manifestações racistas.
Afinal de contas, o que você está fazendo com o resto da sua vida? Errol Garner fez da sua vida algo grandioso, com dores, alegrias, tristezas e reconhecimento no mundo do jazz, daqui para eternidade.

O documentário dirigido por Georges Gachot, promove uma imersão na vida pessoal do artista, marcada por segredos familiares, rompimentos silenciosos, paixões e um sucesso profissional absoluto e inquestionável. As revelações que são apresentadas ao longo dos 130 minutos, possuem como pano de fundo, a relação simbiótica entre o homem e a sua música, através dos depoimentos das pessoas que viveram experiências profundas e definitivas, sua filha, suas mulheres, músicos, empresária, biógrafo, aqueles e aquelas que estiveram perto dele e tiveram a oportunidade de conhecer sua obra rara e imortal.
Misty, uma das suas canções de maior sucesso, foi composta dentro de um avião, após ver um arco-íris pela janela. Essa forma particular de compor, torna-se exemplificativa da identidade artística desse fenômeno do jazz. É possível caracterizá-lo como um músico que se perdia na própria canção, pois criava e recriava novos sentidos, através do seu “shift rítmico”, quando a mão esquerda toca atrasada, como um eco. O suor derramado durante suas apresentações era como lágrimas, pois seu olhar transmitia uma melancolia, mas ao mesmo tempo, uma doçura permanente. Errol era um apaixonado pelas pessoas, interessado em suas vidas e no impacto das suas músicas na vida dos seus músicos e dos fãs.

O maior destaque do documentário, é sem dúvida alguma, o seu processo criativo. Ele não possuía formação acadêmica, era um autodidata de nascimento, formação e convicção. Nasceu músico, dedilhando de forma errada, mas genial. Um gênio no alto dos seus 1,57 de altura que acreditava que o jazz só fazia sentido se fosse alegre, espontâneo e com senso de humor. Afirmava que não era necessário ir para universidade para aprender, mas se assim o fizesse, deveria aprender e expressar com alegria.
Ao longo de sua vida, teve um total de 3 aulas, sendo que ao final, sua professora devolveu o dinheiro, pois dizia que não tinha nada para ensinar. Para ele era suficiente saber qual seria a música e o seu tom, porém raramente essas informações básicas eram do conhecimento dos seus músicos, ocasionado em uma experiência nada ortodoxa e improvável.
Um desses músicos, diz que Erro vive, pois ele não foi embora, permanece vivo em nossas cabeças, o seu talento e suas ideias. Gostava de dizer que cada noite, cada apresentação deveria ser encarada como uma última festa. Ele acabou partindo cedo demais, foi embora da festa de forma abrupta e sem avisar, mas seu tempo, seus ritmos particulares e o seu legado estão cada vez mais fortes e continuam a influenciar o mundo do jazz.




