Nem Toda História de Amor Acaba em Morte

(2022) ‧ 1h25

O amor que encontra novas formas

Thais Wansaucheki

Curitiba tem aberto caminhos no cinema e mostrando que pode ser mais do que um pano de fundo para aventuras cinematográficas, a mais nova prova disso é Nem Toda História de Amor Acaba em Morte.

Com um leve estilo documental, a narrativa acompanha Sol (Chiris Gomes), uma professora de cinquenta anos que decide se separar do marido Miguel (Octavio Camargo). Como toda relação de longa data, o rompimento não acontece de uma vez, ele se estende nas pequenas decisões práticas da casa e da rotina. É nesse intervalo que Sol se aproxima de Lola (Gabriela Grigolom), mãe de uma de suas alunas, artista surda que cria a filha sozinha. O que começa de forma quase inesperada vai, aos poucos, ganhando contorno.

Há algo de interessante na forma como o filme se recusa a caber em estereótipos. A representatividade está presente, mas sem alarde, sem ficar se explicando, o que abre espaço para uma experiência mais natural. Ainda assim, é uma obra que se mantém nesse campo: provoca reflexão, mas não se arrisca muito além.

A presença constante da linguagem de sinais é um dos pontos mais marcantes. Não como recurso pontual, mas como parte orgânica da narrativa. O filme não transforma a surdez em obstáculo central nem em discurso, mas em vivência, o que faz toda diferença. O retrato da comunidade surda foge dos clichês mais comuns e aposta em mostrar o cotidiano com suas nuances, desafios e normalidades.

O relacionamento entre Sol e Lola pode soar súbito em um primeiro momento, quase apressado, mas encontra equilíbrio conforme a história avança. Existe uma construção que, mesmo com um roteiro um pouco travado em certos pontos, consegue sustentar a proposta.

No fim, é um filme que funciona mais pelo que observa do que pelo que declara. Uma narrativa simples, localizada, que encontra força na tentativa de mostrar personagens em suas próprias camadas, sem exageros, mas também sem a pretensão de ser mais do que é. E, talvez, seja justamente aí que reside seu maior acerto.

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