Habitantes dos cantos silenciosos da internet, sejam todos muito bem-vindos a mais uma crítica cinematográfica.
“Abatido pelo adoecer repentino de seu patrão e figura paterna, Niki usa de sua superaudição para ajudar um grupo de criminosos a abrir cofres, e assim arrecadar o dinheiro necessário para pagar as contas médicas.”
Escrito por Daniel Roher e Robert Ramsey, dirigido por Roher, com cinematografia de Lowell A. Meyer, trilha sonora por Will Bates, e estrelado por Leo Woodall, Dustin Hoffman, Havana Rose Liu, Lior Raz, Tovah Feldshuh e Jean Reno. O Afinador é um suspense dramático e envolvente, com elementos de ação e “coming of age”, que discorre sobre como a busca por identidade e reconhecimento pode nos levar a locais sombrios, e a melhor das intenções, resultar no pior dos destinos.

Niki White é aprendiz de afinador de pianos em Nova Iorque, trabalhando para Harry Horowitz, mentor e amigo do seu falecido pai. Quando criança, foi músico talentoso, no entanto, por sofrer de hiperacusia (um distúrbio auditivo que causa uma aversão exagerada ao som), já não consegue mais tocar piano, e usa tampões o tempo todo para se proteger. Na tela, sua condição é bem séria, mas, aliada ao seu conhecimento musical, consegue trabalhar como um “super poder”, o qual Niki irá utilizar para abrir cofres.
Levando em consideração o baixo orçamento, O Afinador realmente surpreende, já que é bem escrito, tem um elenco que dá conta da carga dramática, boas locações, cinematografia e fotografia bem dirigidos, e claro, uma excelente trilha sonora.
Em primeira análise, até se pode pensar que a história é simples e genérica, mas a verdade é que temos personagens em zonas cinzentas, que sabem trilhar seus próprios caminhos de maneira coerente, que crescem, mas que também cometem erros que vão lhes custar caro. Além disso, a condição médica do rapaz, parte da história girar em torno da música, relacionamentos familiares e românticos, dentre outros, geram um aumento da qualidade intrínseca da obra, conferindo a ela, muita personalidade.

Tirando Jean Reno e Dustin Hoffman, o restante do elenco era completamente novo pra mim, no entanto, apesar disso, é perceptível o quanto tais atores se dedicaram em seus papéis, entregando um bom alcance na dramaticidade quando necessário.
Visualmente o filme é muito bonito, bem ambientado e fotografado, intensificando os momentos de tensão, e intimidade, proporcionando uma grande imersão, e gerando a sensação de antecipação constante.
Sem exagerar, sem excessos, a trilha sonora e a sonoplastia foram impecáveis, contribuindo grandemente com os elementos visuais, elevando ainda mais a um nível de cinema.
O Afinador é dramático assim como é descontraído, é ação, mas também suspense, é amplo, mas intimista, principalmente ao mostrar a ascensão e queda do personagem principal, assim como uma agridoce ressurreição. E apesar dos temas específicos, como música e deficiência auditiva, também é bastante relacionável. Um filme equilibrado, que não é perfeito, mas, supera suas dificuldades com elegância.








