O Chamado 3

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03.02.2017

"O Chamado 3" ressuscitou nossa heroína de cabelos sebosos Samara Morgan, mas devia ter deixado ela em paz, dentro do poço

Lembro até hoje o dia em que fui ao cinema ver O Chamado, lá pelos idos de 2002. Cara, já são 15 anos! A cena inicial pareceu bem tranquila, apesar de resultar na morte da adolescente, sobrinha da personagem de Naomi Watts, Rachel, no filme. Mas aí, em uma cena muito pacata, o filme me pegou: vemos a irmã de Rachel lavando louça na cozinha enquanto conta como foi encontrar a filha morta dentro do armário. E você está assistindo àquele bate-papo com o coração aberto quando, de repente, entra a imagem da guria desfigurada dentro do armário, acompanhado de um som agudo de gelar o coração. Pronto, O Chamado te pegou. E do começo ao fim, o filme é recheado de suspense de primeira, história convincente, personagens bem desenvolvidos.

Mas não estamos aqui hoje pra falar de O Chamado, não é mesmo? Estamos aqui, 15 anos depois, para falar de O Chamado 3, cuja produção já está rolando há um tempo, e agora entendo a razão disso. Apesar de ter algo interessante em mãos (um plano para driblar a maldição, em que um tipo de culto é formado e pessoas são designadas para assistir a cópias do arquivo original, assim ninguém morre), ele infelizmente não é bem desenvolvido. Você vai conseguir facilmente adivinhar o roteiro já na metade do filme – que droga! – e os sustos não vão ser suficientes para te convencer.

esta nova versão da franquia, a maldição de Samara volta à vida quando uma fita é encontrada em um velho aparelho de VHS (muitos adolescentes nem vão saber o que é isso! Hahahaha) e, para se livrar da maldição, o professor que achou a fita vai angariar uma legião de alunos para ajudá-lo a trapacear e evitar a morte. Mas um dos alunos envolve a namorada, que parece fazer uma conexão com Samara e descobrir coisas de seu passado que vão ajudar a solucionar a maldição (ou não) de uma vez por todas.

Não te soou como o roteiro do primeiro filme? Com razão, é muito igual. Mas neste não temos nem pelo menos a excelente atuação de Naomi Watts, e a história, mais do mesmo, não segura o filme. Sustos? Ah, eles tentam… até na hora de abrir um guarda-chuva eles fazem um suspense, um som mais alto, uma explosão bem na sua cara. Será que o diretor espanhol, F. Javier Gutiérrez (Três Dias), quis tirar uma com a cara dos fãs?

Assim, pra não dizer que não se aproveita nada da história, foi bacaninha a ideia do passado da mãe verdadeira de Samara e tal, mas foi mal e porcamente trabalhado. Tudo muito raso, não convence. Mas vá assistir, que posso dizer? Pelo menos você vai dar umas risadas, vai dar uns pulinhos, mas não fique esperando grande coisa. Se quer ver um filme de uma garota no poço, bora checar O Chamado e Ringu, versão original do primeiro filme, todos muito bons e disponíveis no Netflix.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Melissa Correa

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