O Espaço Infinito

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06.08.2023

"O Espaço Infinito" é um filme breve e a sua força também é a sua fraqueza.

O filme O Espaço Infinito, do diretor brasileiro Leo Bello, carrega um nome que faz jus ao passeio pela mente marcada pelo luto da protagonista Nina (Gabrielle Lopes). A ideia de do substantivo “espaço”, acompanhado pelo artigo “o”, define um lugar limitado; porém, a palavra vem acompanhada pelo adjetivo “infinito”, que caracteriza o que não finda. Justamente, o luto é o lugar de algo que não finda e apenas muda, se metamorfoseia em outros sentimentos e sentidos que o corpo vai aprendendo a lidar. Porém, é fácil se perder.

Nina é uma astrofísica, e quem assiste vislumbra desde o começo a paixão da personagem em buscar uma estrela nova, de modo que isso se relaciona com a sua infância e o seu pai. Porém, Nina vai perdendo o senso de realidade a partir de algum momento em que está entre essa obsessão que carrega e a perda da bolsa para a pesquisa que está executando. O Espaço Infinito é montado sem uma cronologia específica, talvez para fazer jus à confusão que a personagem vive. A narrativa do filme foca na performance de Gabrielle diante do seu alheamento em relação à sua família; a pessoa que assiste tem que se desconectar da ideia de tentar seguir uma história específica e é convidada a focar na construção corpórea de Nina e o extravasamento do que ela vive com a depressão e outras situações de doença mental.

O filme acaba querendo correr alguns riscos em relação ao roteiro como, por exemplo, apostar em  uma estética de performance. A direção de atriz para Gabrielle fica bem focada em como o corpo reage à realidade borrada que a sua mente vai construindo, trazendo uma atuação bastante teatral, o que fica bastante nítido porque a câmera está em cima dela boa parte do tempo. Tudo ganha mais força quando Nina é internada em um hospital psiquiátrico, pois passa a ser fortemente medicada, tornando a sua situação repleta de altos e baixos.

O Espaço Infinito é um filme breve e a sua força também é a sua fraqueza: apesar de trazer boas cenas de Nina vivendo o desespero de um luto que carrega desde a infância – e que afeta a sua relação com a família e também sua paixão pelas estrelas –, o filme cai em lugares comuns difíceis de engolir. Cenas que romantizam o hospital psiquiátrico e de uma sessão (bem esquisita!) da prática terapêutica de constelação familiar funcionam como quebras de ritmo. De qualquer forma, o filme traz cenas pungentes de interpretação de Nina, alguém que precisa se perder em espaços (cenas) fechados do passado para que se tornem infinitos – e tranquilos – de transitar apesar da memória que guardam.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Emanuela Siqueira

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