Bom, hoje eu decidi fazer diferente, e vou começar pela crítica.
“Perdoe-me Pai, pois eu pequei…”
O Exorcismo é repleto de metalinguagem, seja de uma maneira inicial e superficial ao contar a história de um ator que é contratado para fazer um filme, passando também por características e elementos adicionais contados ao longo da história, envolvendo a indústria cinematográfica, críticas e autocríticas, até uma “entre aspas” quebra da quarta parede. E essa é a grande motivação do filme, um ator contratado para ser um personagem de filme de exorcismo, e que acaba vivendo o terror que deveria ser ficcional.
A grande dificuldade que a obra encontra é em mesclar as várias camadas dessa metalinguagem, partindo de algo simples e comum, passando por uma sobreposição em que é possível perceber que existe o filme ao mesmo tempo que existe também metalinguagens trabalhando para enriquecer a obra, chegando em uma mistura interessante sobre os conceitos que a produção se propõe, no entanto, culminando em um novo filme, de péssima qualidade, quase que uma sátira de si mesmo, incluso em uma sátira da própria indústria sobre filmes de terror, e sem trazer um desfecho sério que confirme as indagações a respeito dessa experiência toda, tendo também um clímax muito abaixo do esperado.
Minha avaliação sobre o tema/conceito, é de que O Exorcismo é o filme de terror que melhor o trabalhou até hoje, porém, um que ao final deixou bastante a desejar também.
No filme temos uma frase interessante do diretor de O Projeto Georgetown (O filme dentro do filme), que é mais ou menos como “Esse é um filme conceitual, com roupagem de filme de terror”, mas, que na realidade é o inverso, uma espécie de crítica aos filmes de terror diferentões que tem a pretensão de serem mais do que são. E esse tipo de comentário acontece ao longo da produção, nas várias camadas de metalinguagem que o filme propõe.

Meus dois centavos sobre o roteiro, é de que ele é bem desenvolvido, possibilitando boas atuações e interações dos personagens durante boa parte dos dois primeiros atos, claro, levando em consideração todas as limitações da produção, no entanto, o filme termina como se tudo de clichê, piegas, e lacônico tivesse carta branca pra acontecer ao mesmo tempo, o que independente de ser intencional, deu uma sensação de que “estragou com força” a experiência toda.
No quesito atuação, até as péssimas parecem ser muito bem feitas.
Os destaques podem tranquilamente ir para Ryan Simpkins que interpreta Lee Miller, que sempre esteve à altura de todas as exigências da sua personagem, entregando muito bem, principalmente nas cenas de absoluto terror. E o principal, sem sombra de dúvidas, para Russell Crowe, que apesar de interpretar na teoria apenas um personagem, entrega uma atuação muito boa em pelo menos três níveis ao longo da película, além de também podermos ver seu personagem, o ator Anthony Miller, interpretando o Padre Exorcista.
O filme é bem conduzido, e os clichês do terror estão presentes, no entanto eu entendi que faltou personalidade na direção, no que diz respeito a se destacar em ser algo único, assim como faltou um pouco daquele clichê estereotipado, o que no meu entendimento, poderia sim ter feito uma boa diferença no conjunto da obra.
Outras críticas que podemos perceber em O Exorcismo, e que de alguma forma estão ligadas a metalinguagem são:
- Profissionais cheios de si, que apesar de muitas qualidades vivem em um mundo paralelo, fazendo com que ao mesmo tempo que são insensíveis com as pessoas ao redor, conseguem ter uma sensibilidade artística inalcançável para meros mortais.
- Profissionais que não entendem nada sobre o que estão envolvidos. Vindos de uma experiência de qualquer outra coisa, mas, querendo fazer um filme de terror, sobrenatural, de lore católico, com exorcismo, resultando em um conteúdo fraco e amador.

O filme consegue trabalhar bem as emoções do espectador, conta uma história fechada, é um entretenimento de terror ok, se esforça na crítica e na metalinguagem, mas, me decepcionou bastante no último ato, principalmente no encerramento.
Dessa maneira, e valorizando bem os aspectos positivos, dou a O Exorcismo a nota de 3 de 5.
Co-escrito pot M. A. Fortin, o responsável pela obra é Joshua John Miller, que tem em seu portfólio o sucesso cinematográfico Terror nos Bastidores e a série protagonizada pela brasileira Alice Braga, A Rainha do Sul.
Russell Crowe é um desses atores veteranos que parece estar demonstrando mais apreço por filmes de suspense e terror nos últimos anos, a exemplo de O Exorcista do Papa (2023) filme em que ele de fato representa um padre exorcista, baseado na história real do Padre Gabriele Amorth, Fúria Incontrolável (2020) em que é um homem atormentado, que após uma discussão no trânsito se transforma, e A Teia (2024) em que interpreta um detetive aposentado que volta a ativa pelo bem de sua própria saúde.
O filme, da produtora Miramax LLC, é produzido por Kevin Williamson, o aclamado roteirista dos filmes de terror adolescente, também responsável por uma das franquias de maior sucesso dos anos 1990 e que continua até hoje, Pânico.
Existem várias referências ao mundo do terror nessa produção, mas, a que mais me chamou atenção é a do “filme dentro do filme” que está sendo produzido, e é chamado de O Projeto Georgetown. Georgetown é o bairro em que a casa da protagonista Regan Macneil, em O Exorcista está localizada.
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