O Outro Lado do Paraí­so

02.06.2016 │ 12:28

02.06.2016 │ 12:28

Antonio Trindade, interpretado por Eduardo Moscovis, é um pai sonhador. É um homem que vive em busca de riquezas para sustentar sua família, mas que, infelizmente, quase nunca acha minas de ouro por aí. Num dado momento de sua vida, ele vê a possibilidade de uma real melhora em Brasília, cidade que ainda estava em processo de construção, devido às propostas de reformas de base do presidente Jango. Inclusive, um dos recursos muito utilizados ao decorrer do longa, é recorrer às filmagens da época, que mostravam a política, os trabalhadores e Brasília sendo construída.
26/07/2013 Crédito: Monique Renne/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Gravações do filme O Outro Lado do Paraiso. Ator Eduardo Moscovis.
Trocando sua humilde casa por um caminhão de segunda mão e saindo de um interior quase rural de Minas Gerais, a família Trindade se muda para os arredores de Brasília para tentar o sucesso. No entanto, lá não era o paraíso que aparentava ser. Em Brasília, futura capital brasileira, só morava quem era realmente rico ou tinha alguma influência, portanto, a família teve que morar no subúrbio da cidade e, em vários momentos do longa, conseguimos perceber essa diferença de classes sociais, tanto no figurino dos personagens quanto na arquitetura desses lugares.
Dentre os trunfos do filme, que foi dirigido por André Ristum, posso citar o fato de toda a história ser contada por um dos filhos de Tonho, o estudioso e sonhador Nando (Davi Galdeano). O garoto, mesmo sendo um jovem no meio de uma roda de adultos, é um protagonista muito forte. Com muita personalidade, ele tem visível interesse pela leitura e também pela política, além do amor sem fim pelo pai, que é o seu herói. Tendo a narrativa feita por uma criança, O Outro Lado do Paraíso é quase uma aula de história para os mais leigos e mostra as sucessões de fatos que levaram ao Golpe Militar de 64.
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“Eu nem precisava sair da cidade para conhecer o mundo inteiro”, diz Nando no começo do filme, retratando que amava ouvir todas as histórias das aventuras que o pai havia vivido sozinho.
Além da narrativa de Nando, os atores e a fotografia dão um banho de beleza no filme. O clima meio árido retrata a real situação da bagunça de uma cidade ainda em construção, ao mesmo tempo em que o verde das propriedades rurais mostra uma Minas Gerais pouco desenvolvida.
Contudo, sinto que mais fatos do Golpe poderiam ter sido inseridos no filme. Vemos poucas consequências das rebeliões dos movimentos de esquerda, que é chamada o tempo todo de comunista pela direita militar. Além disso, não temos o desfecho de alguns personagens, o que chega a ser incômodo, visto que as tramas deles não ficam sequer subentendidas.
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Mesmo com alguns problemas visíveis, O Outro Lado do Paraíso é um filme necessário de ser visto, ainda mais se formos colocar em questão a atual conjuntura do nosso país, que sofre um embate gigantesco entre direita/esquerda e a retirada e entrada de presidentes.
Nota:

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