Até o Último Homem

Mel Gibson retrata um pacifista que vai pra guerra em "Até o Último Homem"

26.01.2017 │ 06:56

26.01.2017 │ 06:56

Mel Gibson retrata um pacifista que vai pra guerra em "Até o Último Homem"

Até o Último Homem, de Mel Gibson, é um filme de guerra brutal e verdadeiramente idiossincrático. Ele acompanha a história real de um pacifista que vai para o inferno da Segunda Guerra Mundial apenas para salvar seus companheiros.

Assim como em seus dois longas anteriores, A Paixão de Cristo e Apocalypto, Até o Último Homem mostra o trabalho de um diretor possuído pela realidade da violência como uma verdade profana mas inevitável.

No filme, durante a Segunda Guerra Mundial, o médico do exército Desmond T. Doss (Andrew Garfield, de O Espetacular Homem-Aranha) se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas, pois isso é contra os seus valores, porém, durante a Batalha de Okinawa, ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado. O que faz de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso.

O filme vai acompanhando a história de Doss e a luta com seus superiores para que ele possa trabalhar na ala médica sem sequer segurar uma arma. Por boa parte da projeção acompanhamos seu treinamento, seu julgamento, suas relações e sua batalha na guerra, que demora para acontecer, mas quando começa é um cataclismo horrível de terror.

Imerso na violenta loucura da guerra, Até o Último Homem enraíza seu drama nos irretocáveis valores de Doss. Com isso podemos argumentar que Gibson, enquanto cineasta, está fazendo uma espécie de ritual de renúncia. Não é o caso! O filme ainda fala, em alguns níveis político-metafóricos, assim como no restante do cinema do diretor, e abraça os problemas que o definiram mas que ele parece estar tentando transcender.

De certa forma, Até o Último Homem usa a guerra como pano de fundo para o drama real de um médico cujo destemor e sentimento que ele cultiva por seus irmãos soldados é que se mostram importantes. Garfield tem um desempenho reverente, mas que não cria um filme de guerra assustador ou emocionante o suficiente para rivalizar com os clássicos do gênero.

Dado o drama sobre o pacifismo vs guerra mostrado ao longo de todo o filme, falta uma cena na qual Desmond considere violar os seus princípios em meio a todo aquele caos. Uma cena que teria adicionado toda uma dualidade a esta moeda com apenas uma cara (ou uma coroa, se preferir). Seria o real confronto entre o violento e o pacifista, os dois lados de Mel Gibson já vistos em sua carreira e na sua vida enquanto celebridade. Mas aí seria um filme diferente! Um filme que, para Gibson, poderia parecer um pouco menos seguro para se arriscar na direção.

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