A refilmagem de O Sobrevivente, dirigido por Edgar Wright e estrelado por Glen Powell, varia de “fantástico” (segundo o próprio Stephen King) a decepcionante e superficial.
Esta nova adaptação é muito mais fiel ao romance distópico original de 1982 de Stephen King (escrito sob o pseudônimo de Richard Bachman) do que o filme de 1987 com Arnold Schwarzenegger. A obra original é mais sombria e política.
O filme apresenta cenas de ação eficazes e sequências de perseguição, com o estilo visual e energia característicos de Edgar Wright. Há quem o considere “o Duro de Matar da nossa época” em termos de filme de ação.

O longa tem um discurso político muito mais direto e forte que o de 1987, abordando temas como vigilância, desigualdade, manipulação da mídia, deepfakes e a espetacularização da violência e da tragédia humana em tempo real.
Glen Powell prova ser capaz de conduzir cenas de ação e a atuação de Colman Domingo como o apresentador de TV é o ponto alto do elenco.
Apesar de ser mais direto, a crítica social é, em alguns momentos, pouco sutil, superficial ou boba, optando por uma caricatura óbvia de regimes e explorando a distopia de forma genérica.

O Sobrevivente desacelera ao tentar misturar diversão e crítica social, resultando em um filme que parece desconjuntado ou que falha em equilibrar a ação com um discurso profundo. É confuso.
Há a percepção de que Edgar Wright, em seu projeto de estúdio, se sente contido ou seguro, entregando um dos trabalhos mais fracos de sua ótima filmografia até o momento.
Em resumo, O Sobrevivente é visto um filme de ação enérgico e com estilo, que se propõe a ser uma adaptação mais fiel e politizada da obra de Stephen King. No entanto, ele não consegue dosar a diversão e a profundidade da crítica social de forma eficiente, dividindo as opiniões entre um thriller de ação empolgante e uma decepção com potencial não alcançado.




