O Vento Sabe Que Eu Volto à Casa

10.06.2016 │ 07:29

10.06.2016 │ 07:29

Apesar de soar um pouco repetitiva, pois não se fala em outra coisa hoje em dia, nosso ritmo de vida está bem acelerado. Beeeeeeem mesmo. Estamos sempre correndo contra o tempo, tudo tem que ser sempre rápido, e não costumamos investir o que não temos (no caso, tempo) em nada que não ofereça satisfação garantida. Incluindo livros, filmes, séries, viagens, casos de amor, amizades. E no caso de filmes, eles têm que bater certinho com nossos anseios e desejos mais profundos. Vixe. Então assistir um filme sobre um documentarista famoso fazendo casting de elenco e locação para o seu primeiro longa de ficção, em um filme que parece ser um documentário, pode ser uma viagem bem viajada e ficar bem longe da parte dos “desejos mais profundos”. Será mesmo?
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Pois o documentário de ficção O Vento Sabe Que Eu Volto à Casa, do chileno José Luis Torres Leiva, pode oferecer muito mais do que aparentemente demonstra. A história é bem simples: Ignacio Agüero, famoso diretor de documentários chileno, vai até a ilhota de Meulín, no arquipélago de Chiloé, próximo à costa do Chile, para encontrar locações e atores para seu próximo filme, que vai contar a história de um casal de moradores da ilha que fugiu para ficar junto. E, com muita paciência, ele entrevista muitas pessoas, incluindo jovens para os papéis principais do filme, que cantam, dançam e tocam instrumentos, e idosos, que compartilham suas histórias de vida com o entrevistador.
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Apesar do filme parecer banal e chato, isso é tudo que ele não é. No começo, você não sabe muito bem onde aquela coisa toda está indo, pois o projeto de Agüero nunca toma forma, ele apenas segue visitando lugares e entrevistando pessoas. Mas aos poucos você vai quase que respirando aquele ar puro da ilha, então acompanha Ignacio enquanto ele aprecia um belo pôr do sol, e à noite bebe um vinho à luz de velas, e caminha pelas estradas barrentas, observando o gado, e os cães, e o mar, e conversa com as pessoas, ouvindo suas histórias, suas expectativas, seus sonhos, seu amor por aquele lugar esquecido. E você se envolve de uma maneira tão profunda com o “documentário” que, quando os créditos começam a subir, ao final do filme, você deseja que eles nunca aparecessem, e aquelas histórias continuassem infinitamente.
Nota:

Varilux

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